'Tolice', diz diretor dos Uffizi sobre 'cabelos de Leonardo'

Suposta mecha do gênio renascentista foi apresentada em Vinci

Mecha de cabelos atribuída a Leonardo é exposta em Vinci, na Itália
Mecha de cabelos atribuída a Leonardo é exposta em Vinci, na Itália (foto: ANSA)
19:39, 02 MaiFLORENÇA ZLR

(ANSA) - O diretor das Gallerie degli Uffizi, o mais importante museu renascentista do mundo, chamou de "tolice" os rumores sobre uma mecha de cabelos atribuída a Leonardo Da Vinci (1452-1519).

O achado foi descoberto em uma coleção privada nos Estados Unidos e apresentado pela primeira vez ao público nesta quinta-feira (2), em um museu situado em Vinci, cidade natal do gênio.

A divulgação coube a dois renomados especialistas na obra de Leonardo, Alessandro Vezzosi e Agnese Sabato, mas o diretor dos Uffizi, Eike Schmidt, não acredita que os cabelos sejam realmente do artista.

"Essa coisa sobre o maço de cabelos é uma tolice, nenhum especialista acredita nisso, e é extremamente improvável que uma mecha de Leonardo pudesse ser encontrada em uma coleção privada americana", disse Schmidt, durante o lançamento de quatro selos em homenagem aos 500 anos da morte do gênio.

"A tradição de colecionar mechas de personagens famosos ou de entes queridos remete ao romantismo, ao século 18. Seria algo fora de época no Renascimento", acrescentou, ressaltando que o achado "não merece nem mesmo ser analisado em detalhes".

Explicação

A mecha é formada por cerca de 20 fios de cabelo e foi apresentada no Museu Ideal Leonardo Da Vinci, situado na cidade homônima, a poucos quilômetros de Florença, lar dos Uffizi. O diretor do museu de Vinci, Alessandro Vezzosi, mostrou uma série de documentos para comprovar a origem da suposta relíquia.

"Em 1863, o escritor e inspetor de museus Arsène Houssaye recebeu o encargo de descobrir a tumba de Leonardo. Uma vez identificada, ele pegou para si duas relíquias: um anel e essa mecha de cabelos", disse Vezzosi.

Segundo ele, os itens foram comprados em 1925 pelo americano Harold K. Shigley, mas acabaram adquiridos por outro colecionador dos Estados Unidos em 1985. Vezzosi e a historiadora da arte Agnese Sabato pretendem comparar o DNA dos cabelos com o dos familiares vivos de Leonardo, de acordo com uma árvore genealógica apresentada em 2016 e que inclui até o cineasta Franco Zeffirelli.

Se o resultado for positivo, eles poderão sequenciar o DNA do gênio renascentista. (ANSA)

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