Bienal de Arte de Veneza expõe urgências do cotidiano

Exposição começou em 11 de maio e vai até 24 de novembro

Barco que naufragou com 700 migrantes em 2015 é um dos destaques da Bienal de Arte de Veneza
Barco que naufragou com 700 migrantes em 2015 é um dos destaques da Bienal de Arte de Veneza (foto: ANSA)
14:25, 13 MaiVENEZA ZLR

(ANSA) - Dar voz às urgências do cotidiano: esse é o objetivo da 58ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, que começou no dia 11 de maio e exibirá até 24 de novembro instalações de 79 artistas e 90 países.

O lema da Bienal de Arte em 2019 é "May you live in interesting times", ou, em tradução livre, "Você pode estar vivendo em tempos interessantes", e busca retratar uma época complexa, na qual os artistas precisam lidar com questões que vão da sexualidade à integração racial, em uma realidade governada pelas redes sociais.

O curador da mostra, Ralph Rugoff, retirou a frase de um falso anátema chinês bastante usado por políticos ocidentais a partir dos anos 1930.

A urgência de nossos tempos está representada nas obras dos 79 artistas convidados, da gigantesca pintura intitulada "Facebook", do americano George Condo, ao barco tirado do fundo do Mediterrâneo após naufragar com mais de 700 migrantes em abril de 2015, do suíço Christoph Buchel.

Como de hábito, o pavilhão dos jardins da Bienal apresenta obras de leitura mais simples, enquanto o Arsenal, antigo estaleiro que virou espaço expositivo, é a área das instalações, muitas delas com traços kitsch.

Para os apaixonados por pintura (até as telas mais simples escondem uma mensagem voltada para nossos tempos), há os trabalhos de Jill Mulleady, com cenas da vida cotidiana, ou de Otobong Nkanga, Ulrike Muller e Michael Armitage.

A Bienal também dá espaço para a alta tecnologia, como a instalação do canadense Jon Rafman que viaja pela alienação humana. Já as esculturas destacam o trabalho do americano Jimmie Durham, vencedor do Leão de Ouro por sua carreira.

O pavilhão da Lituânia, transformado em uma praia artificial pelas artistas Lina Lapelyte, Vaiva Grainyte e Rugile Barzdziukaite, foi premiado com o Leão de Ouro para a melhor participação nacional. A instalação alerta para os efeitos do lazer sobre o planeta.

O Brasil também marca presença na exposição, com o pavilhão "Swinguerra", baseado em um trabalho audiovisual dos artistas Bárbara Wagner e Benjamin de Burca que aborda a disputa entre dançarinos de swingueira no Nordeste. (ANSA)

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