Com 'Bacurau', Kleber Mendonça leva política a Cannes

Diretor já havia protestado contra a queda de Dilma em 2016

Cena de 'Bacurau', filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles
Cena de 'Bacurau', filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (foto: EPA)
14:50, 17 MaiCANNES ZLR

(ANSA) - Três anos após ter protestado contra o impeachment de Dilma Rousseff no tapete vermelho de Cannes, o cineasta Kleber Mendonça Filho voltou a levar a política para o centro do festival mais célebre do cinema mundial, desta vez com uma crítica ao governo de Jair Bolsonaro.

Ao lado de Juliano Dornelles, o pernambucano dirige "Bacurau", distopia que concorre à Palma de Ouro e narra a história de um vilarejo sertanejo utópico que luta contra invasores estrangeiros e do Sudeste.

Em entrevista no Festival de Cannes, Mendonça indicou que o filme reflete o Brasil de Bolsonaro. "O Brasil é um país diverso, mas há uma tentativa para fazer com que ele o deixe de ser. É uma distopia em muitos aspectos", disse o cineasta, que denunciou um desmonte da cultura e da arte no país.

Três anos antes, no mesmo festival, Mendonça e o elenco de "Aquarius" já haviam denunciado um "golpe de Estado" contra Dilma.

O filme

No vilarejo de Bacurau, no coração do Sertão, moradores realizam o funeral de sua habitante mais idosa, a venerada Carmelita. No entanto, alguns dias depois, se descobre que o lugar parece ter sido apagado de todos os mapas.

Além disso, o caminhão que transporta água é alvejado por tiros, e alguns moradores começam a morrer, enquanto um político local pede votos em troca de comida vencida. Em resumo, um vilarejo sob ataque e invisível, como tantos lugares pobres pelo mundo.

Mas a alma arcaica e mágica desse povo ainda está viva e pronta a se levantar quando um grupo de americanos inicia uma invasão com entreguistas do Sudeste.

"Bacurau é uma palavra curta e forte que evoca o mistério de algo vivo no escuro, mas que ninguém vê. Esse vilarejo se comporta assim, é fechado em seu escuro, sabe se esconder e esperar, prefere não ser percebido", disseram os diretores em Cannes. (ANSA)

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