'O Traidor' é aplaudido por 13 minutos em Cannes

Filme de Marco Bellocchio narra a história de Tommaso Buscetta

Maria Fernanda Cândido em Cannes com Pierfrancesco Favino (esquerda) e Marco Bellocchio (direita)
Maria Fernanda Cândido em Cannes com Pierfrancesco Favino (esquerda) e Marco Bellocchio (direita) (foto: EPA)
19:12, 23 MaiCANNES ZLR

(ANSA) - O filme "O Traidor", dirigido por Marco Bellocchio e fruto de uma coprodução entre Itália e Brasil, foi aplaudido por 13 minutos em sua primeira exibição para o público no Festival de Cannes, nesta quinta-feira (23), em uma das melhores recepções na edição deste ano da mostra.

Além dos aplausos, a plateia gritou o nome do cineasta, enquanto os atores - o elenco inclui Pierfrancesco Favino, Maria Fernanda Cândido e Luigi Lo Cascio - trocavam abraços afetuosos. "Tenho realmente de agradecer por esse acolhimento, foi uma experiência maravilhosa", disse Bellocchio.

"O Traidor" conta a história do mafioso Tommaso Buscetta (Favino), primeiro grande delator da Cosa Nostra e que teve sua vida intimamente ligada ao Brasil, de onde foi extraditado duas vezes.

Buscetta (1928-2000) era chefe do clã Porta Nuova e fugiu para o país sul-americano para escapar da guerra deflagrada pelos Corleone pelo controle da máfia na Sicília. Em sua segunda extradição, decidiu colaborar com a Justiça, convencido pela sua terceira esposa, Maria Cristina de Almeida Guimarães (Cândido).

Postulante à Palma de Ouro, o filme estreou no dia do aniversário de 27 anos do Massacre de Capaci, atentado da Cosa Nostra que matou o juiz antimáfia Giovanni Falcone, a quem Buscetta dera informações inéditas sobre a organização criminosa.

Em entrevista à ANSA, Bellocchio definiu o mafioso não como um "herói", mas sim como um "homem de coragem". "É uma qualidade que eu admiro, talvez porque eu não a tenha", disse. Segundo o cineasta, Buscetta era alguém que "arriscava".

"Não queria ser morto na guerra da máfia, defendeu sua vida, seus filhos. Para os outros, é um traidor. Para ele mesmo, é um conservador dos 'valores' mafiosos", explicou o diretor italiano. (ANSA)

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