Em meio a pandemia, Itália lembra 500 anos da morte de Rafael

Maior mostra do artista está com as portas fechadas em Roma

Visitantes da exposição 'Raffaello 1520-1483', nas Scuderie del Quirinale, em Roma, no início de março (foto: ANSA)
08:39, 06 AbrROMA ZLR

(ANSA) - Celebrações à distância marcaram nesta segunda-feira (6) o aniversário de 500 anos da morte de Rafael Sanzio (1483-1520), um dos principais ícones do Renascimento italiano.

Assim como já havia ocorrido no primeiro "Dantedì", festa instituída em 25 de março para lembrar Dante Alighieri, as homenagens pelo quinto centenário do falecimento do artista acabaram ofuscadas pela pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), que forçou o governo a colocar toda a Itália em isolamento.

As Scuderie del Quirinale, palácio anexo à sede da Presidência da República, em Roma, programaram durante três anos a maior exposição já feita sobre Rafael, mas a mostra, inaugurada em 5 de março, foi fechada devido à quarentena.

"É quase como uma Bela Adormecida esperando o príncipe que a acorde", disse o presidente do museu romano, Mario De Simoni. Os únicos visitantes são um restaurador que, duas vezes por semana, faz um giro para verificar o estado das obras, um técnico que controla o sofisticado sistema de climatização e a equipe de segurança.

A exposição percorre a carreira do artista em ordem cronológica, porém do fim para o começo; de Roma, onde ele morreu, deixando incompleto um ambicioso projeto de renovação urbana, até sua cidade natal, Urbino.

São mais de 100 obras reunidas, graças principalmente às Gallerie degli Uffizi, em Florença, que emprestaram cerca de 50 telas. A organização chegou a vender 77 mil ingressos antecipadamente, mas apenas 6 mil pessoas conseguiram ver a mostra.

As medidas de confinamento na Itália ficam em vigor pelo menos até 13 de abril, mas já há rumores sobre uma prorrogação para maio, o que deixa incerta a data de reabertura. De qualquer maneira, a organização não acredita na possibilidade de renegociar os 50 contratos de empréstimo das obras.

"Se houver a possibilidade [de reabertura], estaria disposto a manter as portas das Scuderie abertas dia e noite", disse De Simone. A hipótese mais otimista no momento é abrir a mostra "mesmo que for por uma ou duas semanas", talvez indo um pouco além do limite fixado para 2 de junho, já que, com tantas fronteiras fechadas, também será difícil restituir as obras emprestadas.

Celebrações virtuais

Para tentar compensar, ao menos em parte, os efeitos da quarentena, as Gallerie degli Uffizi lançaram nesta segunda-feira um tour virtual pelas pinturas de Rafael de seu acervo. O passeio digital será feito ao longo de três dias, e o museu também divulgará vídeos nas redes sociais sobre a importância do mestre para a história da arte.

"A atual emergência sanitária impôs o fechamento, poucos dias após a inauguração, da mostra sobre Rafael nas Scuderie del Quirinale, aonde chegaram obras-primas provenientes de coleções e museus do mundo todo. O desejo é de que as portas possam reabrir o quanto antes e que, daquele espírito do Renascimento que tornou a arte de Rafael incomparável, se possa tirar energia para o recomeço da Itália e da Europa", diz o presidente Sergio Mattarella, em uma mensagem divulgada nesta segunda-feira.

"O gênio criativo, a arte e as obras de Rafael Sanzio são imortais e constituem um patrimônio da humanidade, à qual, apesar de sua jovem idade, ele conseguiu doar beleza e harmonia, deixando uma marca que permaneceu bastante visível nos séculos", acrescenta.

Já o Ministério dos Bens Culturais depositou flores no túmulo de Rafael, situado no Pantheon de Roma, além de uma folha decorada por crianças com a frase "Tudo vai ficar bem", o principal lema dos italianos na quarentena. A pasta também publicou no YouTube um vídeo com depoimentos de especialistas sobre sua relação com a obra do mestre, incluindo Marzia Faietti e Matteo Lanfranconi, curadores da mostra nas Scuderie del Quirinale. (ANSA)

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