Andrea Bocelli admite que violou quarentena na Itália

Tenor participou de debate organizado pela extrema direita

Andrea Bocelli durante apresentação na Catedral de Milão, em abril
Andrea Bocelli durante apresentação na Catedral de Milão, em abril (foto: ANSA)
10:07, 27 JulROMA ZLR

(ANSA) - O tenor Andrea Bocelli admitiu nesta segunda-feira (27) que violou a proibição de sair de casa durante o lockdown imposto na Itália para conter a pandemia do coronavírus Sars-CoV-2.

O astro participou de um debate sobre a crise sanitária organizado pelo senador Armando Siri, do partido de extrema direita Liga, e pelo deputado conservador Vittorio Sgarbi, que não pertence a nenhuma legenda.

O evento também teve a presença do líder da oposição na Itália e secretário federal da Liga, senador Matteo Salvini. "Aceitei esse convite, mas sou distante da política. Durante o lockdown, tentei me identificar com quem tinha de tomar decisões difíceis, mas depois as coisas não andaram bem. Conforme o tempo foi passando, não conheci ninguém que tivesse ido para a UTI, então por que essa gravidade?", disse Bocelli.

Segundo o tenor, ele se sentiu "humilhado e ofendido" pela proibição de sair de casa - durante a quarentena, que vigorou em âmbito nacional de 10 de março até o início de maio, as pessoas só podiam sair na rua por motivos essenciais, como por razões de saúde ou para comprar comida.

"Admito que violei a proibição", acrescentou Bocelli, que ainda lançou um apelo pela reabertura das escolas italianas, que encerraram o ano letivo, em junho, com aulas a distância, mas voltarão a receber os estudantes a partir de 14 de setembro, quando começa o próximo período.

"Espero que todos juntos saiamos dessa situação terrível", declarou o tenor, que teve Covid-19 e até doou plasma sanguíneo para uma pesquisa.

Negacionismo

O debate foi marcado pelo tom negacionista em relação à pandemia, que já infectou cerca de 246 mil pessoas na Itália e deixou mais de 35 mil mortos, sem contar a subnotificação.

O deputado Sgarbi chegou a citar um suposto relatório do governo da Alemanha que diz que o novo coronavírus é um "alarme falso global" - o documento, na verdade, reflete apenas a opinião de um único funcionário do Ministério do Interior e não é oficial - e a afirmar que "não é verdade" falar que o Brasil vive uma emergência - o país teve entre 19 e 25 de julho a pior semana desde o início da pandemia, com 319,4 mil casos e 7,7 mil óbitos em apenas sete dias.

Além disso, Sgarbi declarou que a Itália não tem mortos pelo novo coronavírus "há dois meses", sendo que, nesse período, o país registrou pelo menos 2,3 mil óbitos. Já o senador Siri disse que houve "um pouco de exagero na narrativa sobre o vírus" e que a "realidade dolorosa" vivida pelas áreas mais atingidas, como a província de Bergamo, "não podia justificar ansiedade e angústia excessivas". (ANSA)

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