Festival de Veneza começa nesta quarta sob sombra de pandemia

Evento quer passar sinal de otimismo para a indústria do cinema

Preparativos para o 77º Festival de Veneza (foto: ANSA)
14:18, 01 SetVENEZA ZLR

(ANSA) - Considerada um dos eventos culturais mais aguardados do ano na Itália, a Mostra de Arte Cinematográfica de Veneza se acostumou recentemente a ter seu clima de celebração redimensionado por tragédias ocorridas poucos dias antes de seu início, como o terremoto de Amatrice (2016) e o desabamento da Ponte Morandi (2018).

Desta vez, o festival acontece em plena pandemia do novo coronavírus e, com a situação aparentemente sob controle na Itália, terá a tarefa de iniciar a retomada do cinema após as quarentenas impostas mundo afora para conter o Sars-CoV-2.

A 77ª Mostra de Veneza acontece de 2 a 12 de setembro e será o primeiro entre os grandes festivais do mundo após a eclosão da pandemia - Berlim ocorreu antes de o vírus se alastrar pela Europa, enquanto Cannes foi cancelado.

Esse aspecto que vai além das fronteiras italianas será evidenciado logo na cerimônia de abertura, quando os diretores de outros sete grandes festivais europeus, incluindo Berlim e Cannes, apresentarão um manifesto em solidariedade à indústria do cinema.

Devido a esse clima de "sobriedade e prudência", a Bienal de Veneza, organizadora da mostra, decidiu não fazer seu tradicional jantar de gala neste ano, assim como já havia ocorrido após o terremoto de Amatrice, que matou 299 pessoas em 24 de agosto de 2016.

As cerimônias de abertura e encerramento, bem como coletivas de imprensa, desfiles pelo tapete vermelho e outros eventos, serão transmitidos via streaming e pelas redes sociais, e a mostra de 2020 não deve ser lembrada pela presença de estrelas, muitas delas ainda impossibilitadas de cruzar fronteiras internacionais.

Se há um ano o tapete vermelho de Veneza tinha astros como Meryl Streep, Scarlet Johansson, Brad Pitt, Johnny Depp, Mick Jagger e Joaquin Phoenix, desta vez a presença será limitada a personalidades europeias - e apenas as consideradas indispensáveis. Caetano Veloso, estrela do documentário "Narciso em férias", que será exibido na seção "Fuori Concorso" ("Fora de Concurso"), também não estará presente.

"A Mostra de Veneza é um ato de coragem e responsabilidade ao mesmo tempo. Fizeram muito bem em não renunciar a criar todas as condições de segurança, dando a mensagem de que a Itália, com grande prudência, não deve fechar as perspectivas de uma indústria tão importante", disse à ANSA o presidente da Associação Nacional das Indústrias Cinematográficas e Audiovisuais (Anica), Francesco Rutelli.

Leão de Ouro

Ao todo, 18 filmes competirão pelo Leão de Ouro, sendo quatro italianos: "Le Sorelle Macaluso", de Emma Dante; "Miss Marx", de Susanna Nicchiarelli; "Padrenostro", de Claudio Noce; e "Notturno", de Gianfranco Rosi.

Criticada em outras ocasiões pela falta de paridade de gênero, a Bienal de Veneza selecionou 18 filmes dirigidos por 11 homens e oito mulheres (um deles tem dois cineastas).

O júri que designará o vencedor do Leão de Ouro reúne sete personalidades do cinema e é presidido pela atriz australiana Cate Blanchett. O colegiado também terá os diretores Christian Petzold (Alemanha), Joanna Hogg (Reino Unido) e Veronika Franz (Áustria), a atriz Ludivine Sagnier (França), o ator Matt Dillon e o escritor Nicola Lagioia (Itália).

O festival ainda homenageará a atriz britânica Tilda Swinton e a cineasta honconguesa Ann Hui com o Leão de Ouro honorário por suas carreiras. (ANSA)

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