Vida no Oriente Médio é destaque no Festival de Veneza

Filmes de Rosi e Amos Gitai foram apresentados nesta terça

Cena de 'Notturno', filme de Gianfranco Rosi
Cena de 'Notturno', filme de Gianfranco Rosi (foto: ANSA)
15:18, 08 SetVENEZA ZLR

(ANSA) - As crises e a vida no Oriente Médio são o destaque desta terça-feira (8) no 77º Festival de Veneza, com a apresentação de dois filmes "políticos" que concorrem ao Leão de Ouro na mostra.

Um deles é o documentário "Notturno", do cineasta italiano Gianfranco Rosi, o mesmo de "Fuocoammare", que retrata a vida na ilha de Lampedusa, porta de entrada para migrantes e refugiados na Itália, e faturou o Urso de Ouro em Berlim em 2016.

Desta vez, Rosi usa o cinema para apresentar o dia a dia nas incertas fronteiras entre Síria, Iraque, Líbano e Curdistão, em meio às intermináveis crises em uma das regiões mais turbulentas do planeta e à influência do Estado Islâmico (EI).

O documentário exigiu seis meses de pesquisa, três anos de filmagens e mais seis meses de montagem e também deve chegar aos festivais de Toronto, Nova York, Telluride, Londres, Busan e Tóquio.

"O filme nasce de uma necessidade: depois de Fuocoammare, ir ao outro lado do mar [Mediterrâneo], aproximando-me de um mundo complexo e desconhecido para mim. Queria documentar onde acaba a breaking news dos telejornais e dar tempo às histórias", disse Rosi à ANSA.

As oito histórias retratadas pelo cineasta compõem um mosaico do Oriente Médio e nascem de uma relação de confiança com as pessoas que o autorizaram a documentar sua existência. "Ainda não saí dessa experiência, esses encontros mudaram minha vida", acrescentou.

Segundo Rosi, ele esteve a "um passo" de ter sido sequestrado, mas seguiu adiante com o projeto. "Foi uma experiência de impacto físico e emocional fortíssimo, passar três anos em lugares desconhecidos, sem conhecer os idiomas, ficar meses em lugares perigosos, feridos, mas agradeço a meus produtores, que me consolavam a distância e me davam coragem", declarou.

Conflito árabe-israelense

A vida no Oriente Médio também é tema do filme "Laila in Haifa", do cineasta israelense Amos Gitai, que se apresenta em Veneza pela sétima vez.

O longa mostra um exemplo de possibilidade de convivência entre israelenses e palestinos, tema que acompanha toda a produção de Gitai. A filmagem foi feita inteiramente em uma discoteca-galeria vizinha à ferrovia de sua cidade natal, Haifa, e aberta a homossexuais, travestis e pessoas que querem apenas se divertir ou estão em busca de sexo casual.

"Laila" é um nome feminino que, em árabe, significa "noite", indicando que toda a ação transcorre em uma única madrugada na qual se consumam relações, pessoas se dividem por ódio racial e se fala de tudo: da arte à política, das dinâmicas do amor aos destinos do mundo.

"Nasci em Haifa e vejo nela muitas qualidades. Não é dramática como Jerusalém, que está ligada às religiões, não é cool como Tel Aviv, é uma cidade da moderação. Em suma, pode-se olhar a Haifa como um modelo", disse Gitai em Veneza.

"A pergunta que 'Laila in Haifa' apresenta é: a arte pode verdadeiramente criar um espaço onde as pessoas possam exprimir suas diferentes identidades, tentando um caminho para uma convivência pacífica? Eu não acredito que a arte pode mudar a realidade, mas nos faz refletir", acrescentou.

O Festival de Veneza acontece até 12 de setembro, quando será anunciado o vencedor do Leão de Ouro. (ANSA)

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