Itália nomeia alemão para dirigir sítio arqueológico de Pompeia

Decisão provocou renúncia de dois membros do conselho

Sítio arqueológico de Pompeia, no sul da Itália (foto: ANSA)
10:25, 22 FevROMA ZLR

(ANSA) - A decisão do governo da Itália de nomear um jovem alemão para dirigir o parque arqueológico de Pompeia abriu uma crise em um dos principais patrimônios culturais do país.

Gabriel Zuchtriegel, 39 anos, foi anunciado no último sábado (20) como novo diretor do famoso sítio arqueológico localizado nos arredores do vulcão Vesúvio, substituindo Massimo Osanna.

Seu nome foi escolhido pelo ministro da Cultura, Dario Franceschini, a partir de uma lista tríplice apresentada por uma comissão independente, mas a nomeação provocou insatisfação em Pompeia.

Dois dos quatro membros do conselho científico do parque arqueológico, Stefano De Caro e Irene Bragantini, renunciaram a seus cargos poucas horas depois do anúncio sobre Zuchtriegel, afirmando que não havia "condições mínimas para colaborar" com o novo diretor.

Formado em arqueologia clássica pela Universidade Humboldt, de Berlim, e com doutorado pela Universidade de Bonn, Zuchtriegel dirigia desde 2015 o parque arqueológico de Paestum, que abriga algumas das ruínas gregas mais bem preservadas do mundo.

Sua nomeação para Paestum fez parte de um pacote de Franceschini que revolucionou a gestão dos museus estatais italianos. Na ocasião, o ministro trocou o comando de 20 instituições de uma só vez, nomeando inclusive sete estrangeiros, como o alemão Eike Schmidt (Gallerie degli Uffizi), o anglo-canadense James Bradburne (Pinacoteca de Brera) e o próprio Zuchtriegel.

Essa quebra de paradigma provocou protestos no setor cultural italiano e contestações na Justiça, que, em junho de 2018, reconheceu o direito do governo de nomear estrangeiros para a direção de museus públicos.

Em entrevista nesta segunda-feira (22), Franceschini disse que Zuchtriegel foi indicado por uma "comissão internacional de altíssimo nível". "Ele será julgado pelos méritos dos resultados, que, estou convencido, serão ótimos", acrescentou.

O novo diretor de Pompeia, que durante sua gestão em Paestum obteve a cidadania italiana, ignorou a polêmica e declarou que pretende dar continuidade ao trabalho feito por seu antecessor e reforçar a proteção do sítio arqueológico, alvo constante de tentativas de furtos.

O próprio Osanna, agora diretor dos museus estatais da Itália, disse "não entender" a controvérsia. "Zuchtriegel tem um currículo científico excelente e fez um grande trabalho em Paestum", declarou.

Posto cobiçado

A vaga de diretor do sítio de Pompeia chegou a ser anunciada na revista britânica The Economist e tem salário de quase 150 mil euros por ano (o equivalente a R$ 1 milhão), além de bônus.

Situado nos arredores de Nápoles, o parque recebeu quase 4 milhões de visitantes em 2019 (último ano antes da pandemia), perdendo apenas para o Coliseu de Roma (7,5 milhões) e para as Gallerie degli Uffizi, em Florença (4,5 milhões).

O sítio abriga uma antiga cidade romana devastada por uma erupção do vulcão Vesúvio em 79 d.C., e as escavações e restaurações no sítio continuam até hoje. (ANSA)  

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