Do luxo ao ético: 'Casamento solidário' se consolida

Em um 'casamento solidário', vestido de noiva pode ser feito com tecidos ecológicos (foto: Ansa)
18:58, 11 MarSÃO PAULO

(ANSA) - Tudo começou com as listas de casamento beneficentes: ao invés de presentes, os convidados podiam doar o respectivo preço do objeto escolhido para caridade. Hoje isso não apenas se consolidou, mas virou uma verdadeira tendência, consagrada até pelos "wedding planners", com os futuros cônjuges podendo dar dinheiro a um projeto ou utilizar os serviços "éticos" de uma rede de associações.

 

Assim, em um "matrimônio solidário", docinhos são feitos por deficientes ou pessoas em situação de dificuldade, o destino da lua de mel é escolhido seguindo os critérios do turismo consciente, os custos para filmar e fotografar a cerimônia contemplam uma cota para projetos no Terceiro Mundo e até o vestido da noiva, um fetiche quase intocável de luxo e graça, vira "eco".

 

Como? Utilizando tecidos naturais, como o linho cru ou derivados da seda obtidos com métodos de produção que não sacrificam as larvas responsáveis pela fabricação do material. Em suma, se por um lado em muitas regiões italianas a celebração do casamento deve ainda ser norteada pela opulência, por outro, no norte e em algumas zonas do país, como a Toscana, se difundiu a tendência inversa: sobriedade e solidariedade.

 

Para entender melhor essa situação, a ANSA visitou a 4ª edição da Feira dos Matrimônios Solidários, que ocorreu na cidade de Desio, nos dias 14 e 15 de fevereiro. "Foi uma manifestação densa de novidades dedicadas aos futuros cônjuges, uma oportunidade preciosa de descobrir uma gama de propostas sustentáveis que acrescentam impactos sociais, ambientais e culturais positivos à qualidade dos serviços e dos produtos, algo perfeito para organizar o dia mais belo de uma maneira ainda mais inesquecível e compartilhada", explicam os responsáveis pela rede "matrimonisolidali.org".

 

A primeira exposição do tipo foi realizada em fevereiro de 2011 em Milão e teve a presença de dezenas de fornecedores, entre autônomos, empresas, associações e grupos que ofereceram produtos ou serviços com uma explícita finalidade ética (e preços transparentes). Segundo os organizadores do evento, é um conceito que pode ser explicado como o "compromisso de dedicar uma parte significativa das receitas (ou dos lucros) a iniciativas específicas de promoção do bem-estar humano e ambiental."

 

Mas também pode consistir no "valor intrínseco da sustentabilidade e da solidariedade que pertencem aos produtos e serviços oferecidos, em particular por meio da seleção de cadeias de produção que se opõem à exploração do homem e da natureza". "Nós decidimos por um matrimônio com um forte componente de solidariedade. Utilizaremos os vários serviços oferecidos, sabendo que uma parte do que gastarmos irá para uma associação que nos agrada muito, a ONG Veronica Sacchi", diz o noivo Carmine Sirimarco, empreendedor da área de educação que visitou a feira em Desio.

 

A organização atua enviando palhaços a hospitais para elevar o ânimo dos pacientes, principalmente crianças, deficientes e idosos. Fazendo parte da rede de casamentos solidários, também é possível ter um vestido de noiva feito por refugiadas, transformando uma simples roupa em uma história. Ou então, tornar mais "justo" o banquete nupcial, um ato normalmente luxuoso e opulento, como propõe a ONG Equoevento.

 

"Essa atividade permite oferecer a indigentes os alimentos de altíssima qualidade que são preparados nos eventos, além de gerar uma grande gratificação pela boa ação efetuada e um retorno de imagem favorável em relação aos convidados", explica a associação italiana. E essa ideia não está restrita a casamentos, mas também pode estar presente em festas e convenções privadas ou empresariais.

 

Outra sugestão ecológica? Substituir os carros dos cônjuges e dos amigos por bicicletas. Ou então, utilizar nas refeições cooperativas que empregam deficientes na preparação dos pratos. Ou, por fim, servir um menu guiado pela "alimentação consciente", com produtos veganos, vegetarianos e hipoalergênicos.

 

E a lua de mel? "Eco-solidária, naturalmente", afirma Pietro Arlemanni, que trabalha em uma empresa da província de Treviso que organiza roteiros desse tipo. "Neste momento, por exemplo, estamos propondo viagens nupciais ao Quênia, onde os casais podem virar pais adotivos por um ano de um filhote de elefante ou rinoceronte", diz. São várias as maneiras de fazer a cerimônia mais importante da vida ser não apenas inesquecível, mas também útil. Um, 10, 100 modos de transformar o próprio conceito de celebração, para que o milagre não dure apenas um dia. (ANSA)

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