Cidade húngara pede cuidado com 'doenças de imigrantes'

Asotthalom tem governo anti-imigração e extremista

Cidade afirma que há risco de contrair 'doenças de imigrantes' (foto: ANSA)
14:52, 09 SetASOTTHALOM Por Claudio Accogli

(ANSA) - Um alerta chocante apareceu na rodoviária da pequena cidade de Asotthalom, que fica na fronteira entre a Hungria e a Sérvia: o "risco do contágio das doenças dos imigrantes". O papel tem duas fotos: uma em que mostra um grupo de médicos transportando uma pessoa morta e a outra apresenta um braço cheio de feridas e bolhas.

 

"Não toquem nos objetos deixados por imigrantes, suas roupas, vestidos, caixas de conserva e garrafas d'água. Os imigrantes trazem doenças e você corre o risco de ser contagiado", diz parte do comunicado.

 

Eles advertem os cidadãos que, no caso de tocarem em algum item sem usar itens de proteção e tenham sintomas como "diarreia, vômitos ou manchas no corpo", devem procurar "imediatamente" um centro médico.

 

O aviso é assinado pelas autoridades do Conselho Municipal, que tem o partido Jobbik no poder, sigla de ultra-direita, antissemita e anti-União Europeia, e também pelo representante do governo central de Budapeste que atua na localidade.

 

"É uma invasão, precisamos pará-los antes que a União Europeia desapareça", afirmou o prefeito Laszlo Toroczkai. "Bruxelas deve construir os campos de acolhimento na Arábia Saudita ou Bahrein", conclui. Asotthalom é uma vila húngara bem na fronteira com a Sérvia, uma das quais passará o muro anti-imigração do primeiro-ministro Viktor Orban, e onde a aceitação da construção encontra os maiores consensos.

 

O local também é conhecido pela "caça" nas florestas de estrangeiros pelas forças policiais. O premier afirmou hoje (09) que quer acelerar a construção da barreira, que deve ficar pronta em uma semana.

 

Os quatro mil habitantes de Asotthalom, a maioria agricultores, elegeram Toroczai, que representa o Jobbik, o partido húngaro dos "descendentes de Átila", que é notoriamente racista, antissemita, anti-UE e, sobretudo neste momento, anti-imigração.

 

Aqui, a "cortina de ferro" de Orban é vigiada por militares e por policiais. Mas, não é como aquela do campo de refugiados de Roszke: por diversos quilômetros é construída com apenas um metro e meio de altura.

 

Os deslocados em fuga conseguem, facilmente, destruir a estrutura com as mãos e atravessam a fronteira. "Em Asotthalom, fronteira do [acordo de] Schengen, passam cerca de 500 pessoas por dia", explica um militar que observa a estrada entre dois pontos de floresta.

 

À beira de uma estrada, em um declive natural, está uma dezena de imigrantes, circundados por um número muito maior de agentes, que tenta escapar do frio recolhendo lenha em áreas mais longínquas.

 

"Caçada" aos estrangeiros

 

O carro dos policiais passa pela estrada circundada de bosques onde, ao longe, há três imigrantes caminhando com dificuldades pelo cansaço.

 

O carro para: "viu, um deles escapou", diz um dos militares. Os outros dois "capturados" são um jovem que acompanha um senhor cego. Dizem ser sírios. "Onde está o terceiro? Chamem por ele", pressiona um militar. O jovem pede desculpas, está branco, com a voz trêmula. Chama pelo terceiro fugitivo, mas não recebe nenhuma resposta.

 

O "caçador" entra na floresta e, entre os arbustos, estão ao menos 20 deslocados, entre os quais, diversas mulheres. O militar intima a todos. "Não, não" gritam os imigrantes, que começam a correr novamente entre as árvores. Os militares chamam então a polícia. "Vamos cercá-los no fim do bosque que eles vão se entregar ali".

 

Voltam para Asotthalom. Na vila, se respira um ar pesado. Os estrangeiros passam sob vaias. Todos os moradores dizem falar só o idioma húngaro, mesmo que saibam conversar em um perfeito inglês. Chegam cinco meninos que tentam conversar em mímica.

 

Os cidadãos afirmam que é preciso fechar tudo, que aqueles que chegam "não são sírios" e não fogem da guerra. "Dá para encher um avião de Damasco ou de Cabul com o dinheiro que eles gastaram para chegar aqui", dizem.

 

Depois de passar pelo constrangimento, eles são informados que para pegar o ônibus e voltar para Szeged, onde há a única estação ferroviária da área e distante 35 quilômetros, é preciso andar pela estrada principal. Mas não é verdade.

 

O ponto de ônibus está a apenas 10 metros. Dizem isso para quatro paquistaneses, que chegaram de Lahore. Passa o ônibus, que no início da viagem vira à esquerda e os deixa a pé na estrada principal.

 

Os quatro paquistaneses, todos portando o "papel" de identificação da polícia e com vontade de embarcar em Szeged em um trem para Budapeste para ir até a Áustria ou a Alemanha, não chegarão jamais.

 

Em outra parada, 20 quilômetros mais para frente, um grupo de 12 refugiados visivelmente ao extremo de suas forças querem entrar no ônibus. Mas, o motorista fecha as portas. No veículo, ninguém diz nada. Na verdade, todos aparentam estar felizes com a atitude. (ANSA)

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