Com menu da Campânia, Pasquale Palamaro chega a SP

Chefe ficará no restaurante Maremonti até 31 de outubro

O chefe Pasquale Palamaro está no restaurante Maremonti
O chefe Pasquale Palamaro está no restaurante Maremonti (foto: Ansa)
15:58, 09 MarSÃO PAULO ZAR

(ANSA) - Aos 31 anos, Pasquale Palamaro pode ser considerado um dos melhores chefes italianos da atualidade. Natural da região da Campânia, é o principal nome do restaurante Indaco, localizado no luxuoso hotel Albergo della Regina Isabella, na ilha de Ischia, e, em apenas quatro anos, conseguiu conquistar sua primeira estrela Michelin.

 

Conhecido e respeitado por colegas cozinheiros, o italiano - que é especialista em reinterpretar a culinária mediterrânea tradicional - é um dos 20 chefes convidados da 4ª Settimana della Cucina Regionale Italiana.

 

O evento reúne, até 31 de outubro, grandes nomes da gastronomia de todas as regiões da Itália, cada um ficando responsável por comandar um restaurante em São Paulo, além, de criar um cardápio especial.

 

No Maremonti, Palamaro apresenta, desde o dia 24, um menu sofisticado, com pudim de abobrinha e camarão ou salada de lulas, alcachofras e misto de ervas do campo como entrada. Já no primeiro prato, as opções são massa recheada com aspargos e molho de muzzarela de búfala com lascas de azeitonas pretas ou espaguete napolitano com ragù de polvo e tomates cereja.

 

No segundo prato, o chefe propõe coelho à moda de Ischia com creme de ervilha e batatas ao alecrim ou leitão com espinafre na manteiga e limão siciliano. Para as sobremesas, é possível escolher uma torta de ricota com frutas cristalizadas ou um bolo de chocolate com amêndoas e sorvete de creme. O menu de almoço custa R$ 150, e o do jantar, R$ 180.

 

Em entrevista à ANSA, Palamaro fala sobre o que realmente faz a fama da culinária italiana, da influência da Campânia e de seus ingredientes na construção dos pratos, além de dar sua opinião sobre a gastronomia brasileira.

 

ANSA: Qual a peculiaridade da gastronomia italiana? O que a caracteriza?

Palamaro: A Itália é um país muito difícil do ponto de vista de trabalho, mas a única coisa que faz com que todos estejam de acordo é o respeito à própria alimentação. Isso significa que no país existem 20 regiões, todas com uma cultura gastronômica bastante enraizada, e isso desperta entre os italianos e os turistas uma forte curiosidade em descobrir as peculiaridades próprias de cada região, e tudo é bem defendido ao transmiti-lo para outras gerações.

 

Para mim, a peculiaridade por excelência não é o risoto à milanesa [da cidade de Milão] ou a berinjela à parmigiana feita na Sicília, mas sim a qualidade do produto verdadeiramente artesanal com o qual se prepara cada prato. Portanto, se caracteriza por um forte interesse no "comer bem".

 

ANSA: Quais os principais elementos da cozinha da Campânia?

Palamaro: Me sinto honrado e feliz de ser filho da Campânia, e isso eu divido nos melhores e piores momentos. Se eu tivesse que fechar os olhos e pensar na Campânia, imaginaria sentir o perfume do manjericão em pleno verão, o cheiro das redes de pesca de anchovas, o perfume da farinha queimada nos fornos das pizzarias e o odor do tomate cozido que é chamado por nós de ragù.

 

ANSA: E quais os ingredientes típicos da região?

Palamaro: Os elementos que um campano não pode viver sem são: azeitonas, em todas as suas versões (salgadas, marinadas, secas ou com apenas um fio de azeite), os tomates San Marzano e cereja, a muzzarela de búfala, a massa de Gragnano e, por fim, os mercados de peixe no começo das manhãs que sempre dão boas emoções.

 

ANSA: Você já esteve no Brasil? O que pensa sobre a gastronomia local?

Palamaro: A minha primeira vez no Brasil foi em 18 de outubro de 2014, em São Paulo, para a [3ª edição da] Settimana della Cucina Regionale Italiana. E isso me fez ver quanta gente aqui no Brasil prefere comer [comida] italiana ao menos uma vez por semana, mesmo [os dois países] estando tão longe, o que é, para mim, um fenômeno de evolução induzido pelas primeiras imigrações e está sempre em crescimento.

 

Ainda é muito cedo para dar um parecer sobre o que eu provei no Brasil durante a minha semana, mas com certeza tudo o que eu experimentei foi muito interessante e, acima de tudo, gostoso, e não vejo a hora de provar outras peculiaridades.

 

Informações: http://www.settimanacucinaitaliana.com.br/

De 24 a 31 de outubro (ANSA)

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