Ainda é cedo para falar em Intifada, dizem especialistas

Onda de violência gerou temores de uma nova revolta palestina

Juntas, as duas intifadas anteriores deixaram cerca de 7 mil mortos
Juntas, as duas intifadas anteriores deixaram cerca de 7 mil mortos (foto: EPA)
13:25, 30 OutSÃO PAULO Lucas Rizzi

(ANSA) - Já são mais de 70 mortos em menos de um mês. A atual onda de agressões de palestinos contra israelenses segue em marcha no Oriente Médio e tem levantado temores de que se inicie a Terceira Intifada (palavra em árabe para "revolta") no Oriente Médio. O termo já foi empregado pelo grupo fundamentalista Hamas, que controla a Faixa de Gaza, para se referir aos ataques, no entanto, especialistas acreditam que ainda é cedo para usá-lo.

 

A Primeira Intifada ocorreu entre 1987 e 1993 e fez mais de 2,2 mil vítimas, e a Segunda, entre 2000 e 2005, tirando a vida de quase 4,5 mil pessoas. Segundo André Lajst, diretor-executivo da instituição judaica Hillel Rio e especialista em segurança nacional israelense, para haver um novo levante, seria necessário o apoio explícito da Autoridade Nacional Palestina (ANP), que controla a Cisjordânia e tem agido para conter a tensão no território.

 

"Para ela, não seria bom uma Terceira Intifada. Se a ANP a apoiasse, ela cairia e, paradoxalmente, isso seria ruim para Israel também", diz Lajst, que tem cidadania israelense e serviu durante dois anos na Força Aérea do país. Na Primeira Intifada, a organização presidida por Mahmoud Abbas ainda não existia, mas, na Segunda, ela foi decisiva.

 

Contudo, dar um apoio inconteste a uma terceira rebelião significaria, para a ANP, ceder aos radicais do Hamas e uma queda quase inevitável. "Evidentemente, estamos vendo muitos atentados, mas, de qualquer forma, não estão acontecendo aqueles grandes protestos das intifadas anteriores", acrescenta Lajst.

 

De acordo com o especialista, as forças de segurança da Autoridade Nacional Palestina têm agido para tentar evitar ataques contra soldados israelenses. No entanto, ele acredita que, para haver uma interrupção da onda de violência, seria preciso uma declaração explícita de líderes locais contra as agressões.

 

Emir Mourad, secretário-geral da Federação Palestina do Brasil (Fepal), concorda que ainda não ocorreu um "anúncio oficial", como nas duas intifadas anteriores. Porém ele ressalta que isso não depende da ANP. "A Autoridade Nacional Palestina é um órgão administrativo", diz.

 

A atual onda de violência teve início no primeiro dia de outubro, quando dois judeus foram mortos na frente dos seus filhos em um carro na Cisjordânia. Desde então, dezenas de agressões foram registradas contra colonos e soldados israelenses - a maioria delas à faca. Em muitos casos, os palestinos responsáveis pelos ataques foram mortos pelas forças de segurança.

 

O balanço até aqui contabiliza mais de 62 mortos do lado palestino e nove do israelense. Em setembro, o governo de Israel havia proibido a entrada de homens muçulmanos com menos de 50 anos em Al Aqsa, na Esplanada das Mesquitas, terceiro local mais sagrado do Islã, após uma série de tensões no local.

 

Para os judeus, o lugar se chama "Monte do Templo", por ter abrigado o segundo templo destruído pelos romanos. Atualmente, apenas muçulmanos podem rezar na Esplanada, que é aberta ao restante do público apenas para visitas. Por conta disso, judeus ortodoxos cobram do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu uma mudança nesse "status quo", no qual ele já prometeu não mexer.

 

"Em 2000, a Intifada foi declarada após Ariel Sharon [ex-premier israelense, mas na época só um parlamentar] ter entrado na Esplanada das Mesquitas", recorda Mourad. (ANSA)

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