Reforma Protestante de Lutero completa 500 anos

Monge continua sendo estudado para entender Alemanha de hoje

Reforma Protestante de Lutero completa 500 anos
Reforma Protestante de Lutero completa 500 anos (foto: Ansa)
12:25, 31 OutBERLIM ZLR

(ANSA) - Cinco séculos depois, Martinho Lutero continua sendo um ícone, ao ponto de a Alemanha ainda usar suas filosofias para compreender a si mesma. Com este espírito, o país celebra, nesta terça-feira (31), os 500 anos de Reforma Protestante, que dividiu a Igreja Católica a partir das 95 teses do monge agostiniano.

Em Wittenberg, no leste da Alemanha, lugar onde a revolução protestante começou, o ano de comemorações terminará com as presenças da chanceler Angela Merkel e do presidente Frank-Walter Steinmeier.

Na Alemanha, juntamente com a interpretação de uma época de transformações insidiosas (inclusive por meio da imagem de Martinho Lutero), se tenta afinar a compreensão sobre a mudança enfrentada atualmente pelo país, tanto em questões políticas como sociais.

A capa da revista "Der Spiegel" que abriu as celebrações dedicadas ao reformador há exatamente um ano trazia a frase: "O primeiro cidadão irritado". E, de fato, ninguém marcou mais do que Lutero o caráter do povo alemão, a partir, por exemplo, do idioma, usado por ele como instrumento político: sua tradução da Bíblia para o alemão foi o ato fundador da língua nacional e representou um momento de democratização da fé.

A Bíblia traduzida em linguagem "comum" - em um texto literário e de beleza reconhecida - chegava das mãos das elites e era dada à livre interpretação de cada fiel. As 95 teses, esse ato de rebelião contra a Igreja Católica cunhado sobre a desilusão com a corrupção em Roma, causaram uma fratura nunca curada dentro da Igreja.

Os dogmas católicos também sofreram bastante, o que tornou ainda mais difícil qualquer tentativa de reconciliação. Somente Deus concede perdão, que chega sem nada em troca, segundo os protestantes, que aboliram o culto a santos e à Virgem Maria e não reconhecem a transubstanciação, isto é, a presença do corpo e do sangue de Cristo na Eucaristia.

A vida atormentada de Lutero, jovem burguês a quem seu pai aspirava transformar em jurista, também se caracterizava por um forte sentimento antissemita e contra os turcos: ele estava aterrorizado e obcecado pela possibilidade de que ambos os povos pudessem assumir o controle. Todas estas questões, incluídas no retrato publicado pela "Der Spiegel", estão resumidas assim: "O molde de Lutero é o molde do país. E a crise daqueles tempos se assemelha à crise de hoje.

Raiva populista? Repugnância pelas elites? Inclinar-se contra o capitalismo? Antissemitismo alemão? Também em Lutero é possível estudar tudo isso. Ele deu a palavra-chave: 'ressentimento'". Esse conceito foi mais tarde estudado pelas ciências sociais para definir a identificação de um "inimigo" a quem atribuir a culpa pelo mal-estar social. (ANSA)

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