Descubra os tesouros no mar da era do imperador Augusto

Área na Itália preserva importantes cidades da era romana

Descubra os tesouros no mar da era do imperador Augusto (foto: Ansa)
19:12, 03 NovROMA Por Martino Iannone e Lara Gallina

(ANSA) -  Submerso nas águas que banham a região da Campânia, no sul da Itália, há um tesouro de histórias que, na maioria das vezes, estão escondidas da visão do homem. O mar preserva diversas estruturas do esplendor da era do imperador Augusto (27 a.C – 14 d.C), como vilas romanas, estátuas e pesqueiros.

- Mergulho no azul da Roma submersa de Augusto:

Existe um extraordinário patrimônio histórico e arqueológico, que, no entanto, está submerso no mar da Campânia, em particular, nas áreas protegidas pela Marinha italiana. Nestes locais, o turismo subaquático continua sendo uma das atividades relacionadas ao turismo sustentável com maior atratividade na região.

Nas seis áreas que são protegidas pela Marinha italiana operam cerca de 20 centros de mergulho que transportam mais de seis mil pessoas por ano, um grande número de apaixonados por mergulho que nadam pelas águas da região.

Além disso, as características daqueles que curtem esta atividade são uma alta sensibilidade ambiental e cultural, disponibilidade em finais de semana (já que as atividades de mergulho são realizadas na maioria das vezes nos finais de semanas e fora dos horários de pico), e por fim, um importante conhecimento sobre os equipamentos de mergulho e sua restauração.

- No mar entre a beleza, história e trabalho:

Punta Tresino, em Agropoli, se localiza no limite sul da área em torno da cidade de Paestum, uma das mais bem preservadas ruínas gregas do mundo e que está localizada na Itália.

Em diversas ocasiões, a cidade entrou em controvérsia com a vizinha Vélia, mas mesmo assim, ambas eram aliadas leais de Roma, fornecendo homens e navios durante as guerras púnicas (146 a.C – 264 a.C) entre Roma e Cartago.

No mar, ao longo da costa entre Agropoli e Punta Tresino, muitos mergulhadores locais realizaram inúmeras descobertas nas águas. No entanto, como não tinham documentações topográficas adequadas, muitas não foram cadastradas.

Este trecho da costa de Cilento foi principalmente ligada a possibilidade de oferecer abrigo para a baía da Valónia, na Bélgica, além de oferecer fontes de água doce nas proximidades do mar e dois pontos de desembarque durante as navegações entre as costas.

O incrível deste território é que, em alguns quilômetros, é possível visitar qualquer tipo de monumento ou sítio arqueológico, uma espécie de pequeno manual de arqueologia subaquática.

Neste hipotético tour costeiro, é encontrada, a partir da praia de Santa Maria di Castellabate, em Salerno, uma série de impressões semicirculares que comprovam que o local foi explorado anteriormente.

- A procura de Aenaria:

O promontório, frequentado primeiro pelos Micenas e depois pelos gregos - que construíram um templo dedicado a deusa Atena -, passa a partir do século 4 a.C para o domínio dos samnitas.

A esse grupo pertence uma famosa inscrição, datada entre os séculos 2 a.C. e 3 a.C, onde é citada a construção de um ponto de desembarque na costa que leva ao santuário dedicado a deusa Minerva.

O santuário e o culto da deusa perdem importância após a conquista romana, quando este trecho de costa se torna o ponto de embarque para alcançar Capri. Ali ainda seria erguida a residência do imperador Tibério (41 a.C – 37 d.C).

O promontório e as ilhotas de "Li Galli" lutaram, segundo os estudiosos, pelo local onde suspostamente seria a residência das sereias Ligeia, Leucósia e Parténope, figuras mitológicas que são metade peixe e metade mulher e que encantavam os marinheiros levando-os para o fundo do mar.

O arquipélago de "Li Galli" é geralmente identificado com as "Ilhas Sirenussai" mencionadas pelos autores antigos e, em particular, pelo historiador e filósofo grego Estrabão.

Na era romana, o mesmo escritor descreve o golfo de Nápoles como uma cidade única com uma sequência ininterrupta de vilas, de Miseno a Punta Campanella e, neste trecho, há vestígios destas ricas vilas com inúmeros restos de muros, pesqueiros, docas e túneis cavados no penhasco. A articulação dos espaços e a estrutura dessas habitações luxuosas representam um marco na arquitetura romana.

A partir do estudo da disposição dos ambientes, percebe-se que tudo estava na função de adaptar os espaços para aproveitar a paisagem do local. No trecho da costa de Sorrento, estão preservados os restos da Vila de Agripa Postumo e de uma vila anexa a piscina natural denominada "Banho da Rainha Giovanna". Estes são dois exemplos típicos de moradias marinhas, divididos entre um setor residencial e um setor marítimo.

- No mar de Castellabate em Sorrento:

A área vulcânica dos Campos Flégreos, em Pozzuoli, é conhecida em todo o mundo pelo fenômeno do bradissismo (movimentos de deformação da crosta da Terra), descoberto graças à presença de buracos de litodomia no antigo mercado romano de Macellum de Pozzuoli. Por conta disso, acredita-se na existência de algumas oscilações verticais do solo sem deformações permanentes visíveis.

Este fenômeno, ao longo dos séculos, levou a variações no nível do mar, de modo a inundar todo o litoral romano, fazendo a água subir cerca de 400 metros. Segundo as antigas fontes, esses santuários foram construídos pela aristocracia romana que transformou tudo em um local de renome devido ao seu clima ameno, a linda paisagem e a presença de inúmeras fontes hidrotermais.

Entre os monumentos mais famosos estão a Villa dei Pisoni, em Protiro, a ninfa imperial de Claudio, a seca Fumosa e todo o complexo de Portus Iulius. Para criar alguns itinerários subaquáticos, é permitido aos mergulhadores visitarem esses lugares fascinantes.

- Na baía de Ieranto, a reserva marinha de Punta Campanella:

A colina de Posillipo divide geograficamente a área napolitana passando em torno do vulcão Vesúvio até a área em torno da caldeira de Flégrea, cujas margens se estendem até a elevação de Miseno.

Toda a costa flégrea, e em parte também a napolitana, é afetada pelo fenômeno do bradissismo, um movimento lento - ascendente ou descendente - na crosta terrestre, que está ligado ao movimento das massas magmáticas no interior da terra. Isso tem causado mudanças profundas na geomorfologia, como a consequente submersão de estruturas romanas localizadas perto do antigo litoral.

Atualmente o nível do mar - nesta parte da costa – é cerca de três metros maior em comparação àquele da época romana. Com isso, acaba-se conservando no fundo do mar a maioria das instalações marítimas pertencentes às grandes vilas romanas. Elas são preservadas no topo da colina, conhecida pelos antigos autores como Pausilypon "repouso de affanni"; um nome que ainda é preservado em Posillipo.

As vilas pertenceram a um homem rico e muito polêmico, Marco Vedio Pollione, pessoa de muitas posses, que de acordo com historiadores antigos, conseguiu enriquecer por meios ilícitos. Ele também era famoso pela paixão de cultivar ratos. Em sua morte, no ano de 15 a.C, ele deixou tudo como herança para Ottaviano Augusto, que fez uma renovação para adaptá-las a uma vila imperial.

Estas vilas, além de terem uma área residencial adequada, possuiam um extenso setor marítimo com inúmeras instalações no nível do mar, incluindo a "Escola de Virgílio", que é conhecida graças as gravuras dos séculos passados.

- Mar da Gaiola, na baía nos campos Flégreos:

No mundo dos estudos clássicos, a ilha de Ischia é conhecida por ser a primeira colônia grega no Ocidente, já que foi fundada no século 8 a.C. e é citado por fontes antigas como o marco de Pithecusa. Além disso, a teoria pode ser comprovada por conta de um túmulo encontrado na necrópole de San Montano (exposta no Museu Arqueológico de Lacco Ameno), que contém a mais antiga inscrição grega encontrada no mundo ocidental.

A escassez de evidências arqueológicas da época romana sempre significou que a ilha, agora definida como Aenaria, fosse considerada, neste período histórico, semi-abandonada por conta de frequentes terremotos e erupções vulcânicas ocorridas entre os séculos 1 a.C e 1 d.C.

Recentes escavações subaquáticas, por outro lado, contradizem esta teoria, com a descoberta na baía de Cartaromana, no antigo porto de Aenaria, de restos de uma vila marítima.

A análise de materiais cerâmicos encontrados durante as escavações mostram não apenas diversas atividades na baía, mas também um intenso tráfego comercial por toda a bacia do Mediterrâneo. Isso confirma ainda que, na era romana, a da ilha foi um importante centro ao longo das rotas marítimas que percorriam o "Mare Nostrum".

A identificação e o estudo das estruturas da época posterior (século 13) também permitem a reconstrução da geomorfologia da baía de Cartaromana desde a era romana até os dias de hoje, através da análise das variações do nível do mar nos últimos dois mil anos. Após a conclusão das escavações, a área arqueológica pode ser visitada com o auxílio de um barco com o fundo transparente.

- O banho da rainha Giovanna:

Sete anos após o início do reconhecimento subaquático e as subsequentes campanhas de escavação na baía de Cartaromana, em Ischia, a arqueóloga e diretora do estaleiro naval Alessandra Benini, fez à ANSA um relatório inicial sobre os resultados obtidos, além de citar expectativas para o futuro.

"Estamos reescrevendo parte da história antiga e da topografia deste setor insular. Segundo a tradição histórica, a ilha de Ischia sempre foi vista na época romana como uma ilha semi-abandonada ou, de pouca importância arqueológica, tanto no edifício aristocrático, como na área da comércio marítimo", diz Benini.

A especialista ainda acrescenta que "as escavações mostram que, mesmo com o passar dos anos e com a lenta progressão da pesquisa arqueológica, a baía de Cartaromana era uma área densamente frequentada no século 3 a.C por conta de uma grande doca. No entanto, os restos de uma vila à beira-mar emergem".

"Com estes primeiros resultados, estamos retornando à ilha de Ischia todas essas características topográficas típicas das outras pequenas ilhas", finaliza.
Para fazer os passeios, há diversas empresas especialistas. Aquela que conta com mais pacotes é a a Marina di Sant'Anna.

Desde 2004, a Marina di Sant'Anna trabalha em conjunto com a Vigilância Especial para o Patrimônio Arqueológico de Nápoles e Pompeia, na baía de Cartaromana, em Ischia, com escavações arqueológicas subaquáticas.(ANSA)

 

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