Retrospectiva/O Estado Islâmico foi derrotado em 2017?

Grupo perdeu suas áreas de domínio, mas não sua influência

A reconquista da cidade de Mosul, capital do califado, foi quando os iraquianos puderam declarar "vitória" contra o EI (foto: EPA)
11:13, 28 DezSÃO PAULO Por Beatriz Farrugia

(ANSA) - O ano de 2017 impôs perdas significativas de território para o grupo extremista Estado Islâmico (EI). Da sua formação original de 2014, quando o líder Abu Bakr al-Baghdadi anunciou a criação do "califado", o Estado Islâmico perdeu 95% do seu território na Síria e no Iraque - equivalente a quase o tamanho da Grã-Bretanha.

Nesses últimos meses de ofensiva contra o Estado Islâmico, várias áreas foram reconquistadas pela coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, pelas tropas russas ou pelas forças sírias e iraquianas, como Kobane, Dabiq, Palmira, Mayadin, Raqqa, Tikrit, Ramadi, Falluja, Tal Afar e Hawiya.

Mas foi em meados de julho, com a reconquista da estratégica cidade de Mosul, capital do califado, que as autoridades do Iraque declararam "vitória" sobre o Estado Islâmico. A perda de territórios e de combatentes enfraqueceram o grupo terrorista mais temido dos últimos tempos, mas a derrota geográfica não significa o fim do Estado Islâmico.

"Como organização, o EI entrou em colapso, pois perdeu territórios. Mas, uma coisa é o Estado Islâmico entrar em colapso, outra é matar sua ideologia", disse André Woloszyn, analista de segurança, em entrevista à ANSA.

"Eles foram derrotados militarmente, mas é impossível derrotar um grupo como o Estado Islâmico, pois se trata de uma ideologia. Você não consegue derrotá-lo justamente porque ele está na cabeça das pessoas", completou, por sua vez, o cientista político André Lajst.

De acordo com dados da agência de contraterrorismo IHS Conflict Monitor, as receitas dos extremistas caíram de US$ 81 milhões por mês, em 2015, para US$ 16 milhões por mês em 2017. Sem territórios e com pouco dinheiro, o Estado Islâmico tem usado o marketing para preservar sua influência e fama, assumindo autoria de atentados que chegam a ser reivindicados também por outros grupos - o que coloca em xeque a crebilidade do EI.

"Existe muita gente que já foi influencia pelo Estado Islâmico, que mora na Europa ou integra uma cálula dormente. Essas pessoas só precisam receber uma ordem, um e-mail, para pegarem uma arma e atirar. Não importa como o EI estiver, vai reivindicar o atentado", disse Lajst.

Segundo Woloszyn, a tendência é que o EI comece a operar de maneira cada vez mais pulverizada, ou que passe por um fenômeno de reformulação, como ocorreu com a Al-Qaeda, com subgrupos fundamento novas organizações terroristas.

"A pulverização do terrorismo internacional já está acontecendo nos últimos dois anos. São ataques de baixa intensidade em regiões espalhadas pelo mundo, principalmente a Europa. Apesar da magnitude menor, tem o mesmo efeito psicológico na sociedade, que é a sensação de insegurança.

"Esses ataques de baixa intensidade tendem a aumentar. E as forças segurança não sabem como agir", acrescentou o especialista.(ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA