Especial/Quem é quem nas eleições na Itália?

País escolherá novo primeiro-ministro em 4 de março de 2018

Silvio Berlusconi aguarda sentença sobre inelegibilidade para saber seu futuro (foto: ANSA)
17:47, 01 MarSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Às vésperas das eleições legislativas na Itália, o cenário é de completa incerteza quanto a quem será o novo primeiro-ministro do país.

Com uma disputa fragmentada entre três forças - centro-direita, centro-esquerda e antissistema -, poucos arriscam um palpite sobre quem será o sucessor de Paolo Gentiloni.

No entanto, é certo que alguns nomes terão papel crucial após a contagem dos votos. Confira:

Silvio Berlusconi

Inelegível até 2019, o ex-primeiro-ministro conservador de 81 anos pode ter papel determinante. Seu partido, o Força Itália (FI), é o terceiro mais popular do país e o principal pilar da aliança conservadora que lidera as pesquisas.

Se os resultados das sondagens se confirmarem e a coalizão for mantida, o FI terá a prerrogativa de assumir a chefia do governo, mas Berlusconi ainda não bateu o martelo sobre quem será seu escolhido.

O favorito é o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, aliado de longa data do ex-premier, mas não se sabe que reações a opção por um europeísta convicto causaria nas outras legendas da coalizão, a Liga Norte e o Irmãos da Itália (FDI), ambas eurocéticas.

Além disso, se os outros processos contra Berlusconi não avançarem, ele próprio ficaria habilitado a voltar à poltrona de primeiro-ministro em 2019. Também cogita-se que a direita possa candidatá-lo a presidente em 2022.

Matteo Renzi

Primeiro-ministro entre fevereiro de 2014 e dezembro de 2016, Renzi, 43, acalenta o sonho de retornar ao Palácio Chigi e chegou a pressionar por eleições antecipadas já em 2017, mas teve o ímpeto contido pelo presidente Mattarella.

Também ex-prefeito de Florença, ele é líder da maior legenda política da Itália, o Partido Democrático (PD), que une sob o mesmo guarda-chuva diversas alas da esquerda, desde ex-comunistas e socialistas até sociais-democratas e egressos da antiga Democracia Cristã.

Das grandes siglas italianas, é a mais heterogênea, com grupos ligados a sindicatos, ao mundo empresarial, à Igreja Católica, entre outros. Ao longo do último ano, o PD perdeu pedaços importantes em suas facções mais à esquerda e tradicionais, descontentes com o estilo agressivo de Renzi, que ganhara fama nacional com o apelido de "reciclador".

As brigas internas, a derrota no referendo constitucional de 2016 e o ano longe do governo corroeram a popularidade de Renzi, que de 40% nas eleições europeias de 2014 caiu para cerca de 25% nas últimas pesquisas. O ex-premier também teve dificuldades para fechar alianças, o que compromete seu desejo de voltar ao cargo, já que nenhum partido deve ter maioria no Parlamento.

Luigi Di Maio

Candidato mais jovem ao posto de primeiro-ministro, o vice-presidente da Câmara dos Deputados tem 31 anos e uma curta trajetória na vida pública - apenas um mandato como parlamentar, iniciado em 2013.

Pupilo do palhaço Beppe Grillo, ele lidera o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) nas eleições e é criticado por seus rivais pela pouca experiência e por não ter terminado nenhum curso universitário.

Di Maio tem um perfil mais "moderado" que o irascível Grillo e foi escolhido candidato em uma votação online entre os filiados do movimento. Ele calcou sua campanha na proposta da "renda de cidadania", que prevê que todas as pessoas maiores de 18 anos e que estiverem abaixo da linha da pobreza recebam um valor mensal para sair dessa condição.

O M5S liderou quase todas as pesquisas para as eleições de 2018, mas sem ultrapassar o patamar de 30%, número insuficiente para permitir que o movimento governe sozinho - o partido é historicamente refratário a alianças.

Matteo Salvini

Outro representante da nova geração da política italiana, o eurodeputado da Liga Norte tem 44 anos e representa as forças anti-imigração. Salvini assumiu o comando da Liga em 2013 e praticamente abandonou seu histórico pleito pela independência da Padania, planície situada no norte da Itália.

Ao invés disso, promoveu uma guinada à extrema direita, defendendo o fechamento das fronteiras para migrantes forçados, o fim das operações de resgate no Mediterrâneo e a saída do país da zona do euro. Além disso, capitaneou a oposição contra a lei de uniões civis entre homossexuais e lutou para barrar o projeto que introduziria o princípio do "jus soli" na legislação.

Ele também propõe a castração química de estupradores, o protecionismo econômico à la Trump e, no âmbito europeu, costurou uma aliança com a francesa Marine Le Pen (Frente Nacional) e o holandês Geert Wilders (Partido para a Liberdade), símbolos do euroceticismo na UE.

Nas pesquisas, a Liga flutua entre a terceira e a quarta posições, com 12% a 15% das intenções de voto. O número não permite ao partido vencer as eleições, mas as sondagens também apontam que a aliança com a centro-direita de Silvio Berlusconi é favorita para sobressair nas urnas. Salvini precisa chegar à frente do ex-premier para conseguir se lançar como primeiro-ministro em uma coalizão conservadora.

Pietro Grasso

Ex-membro do PD, o presidente do Senado, de 73 anos, lidera uma coalizão de esquerda formada por dissidentes da legenda de Renzi. Grasso é o segundo na hierarquia do Estado desde 2013 e trabalhou como procurador nacional antimáfia entre 2005 e 2012.

Apesar de ser septuagenário, ele tem uma curta trajetória na política e cultiva a imagem de "homem das instituições" - Grasso chegou a ser cogitado como premier para aplacar a crise gerada pela renúncia de Renzi.

Sua saída do PD se deu por divergências em relação à reforma eleitoral patrocinada pela sigla e com seu "modus operandi" no Parlamento - nos projetos mais importantes, o partido, sob comando de Renzi, sempre apelava para o "voto de confiança", que restringe o debate parlamentar.

Sua coalizão, a Livres e Iguais (LeU), tem cerca de 6% das intenções de voto, apoio que é roubado justamente do PD. Se Grasso se sair bem nas urnas, é provável que Renzi tenha menos chances de voltar ao governo, a não ser que consiga costurar uma aliança com os dissidentes.

Paolo Gentiloni

O discreto primeiro-ministro de 63 anos ficará no poder até que um novo governo seja criado e é candidato a deputado. Apesar de, segundo as pesquisas, Gentiloni ser a segunda liderança na qual a população mais confia, atrás do presidente Mattarella, ele pertence ao PD, partido dominado pelas pretensões de Renzi.

Contudo, o ex-primeiro-ministro já admite ceder a candidatura ao Palácio Chigi para seu sucessor. O nome de Gentiloni também pode ganhar força caso ninguém consiga formar uma aliança após as eleições, já que seu perfil institucional seria mais aceitável para os dissidentes do PD e para a centro-direita.

Sergio Mattarella

Na Itália, o presidente da República é escolhido pelo Parlamento, e seu mandato não estará em jogo em 2018. No entanto, apesar de ter um papel institucional e mais afastado do dia a dia do jogo político, Mattarella ganhará importância caso a fragmentação prevista pelas pesquisas se confirme.

Cabe ao chefe de Estado designar o primeiro-ministro, baseado no resultado das urnas. Se nenhum partido tiver uma maioria clara, ele escolherá aquele que se mostrar mais capaz de formar um governo de coalizão.

Em março de 2013, após o secretário do PD na época, Pier Luigi Bersani, fracassar nas negociações, o então presidente Giorgio Napolitano encarregou o segundo na hierarquia do partido, Enrico Letta, pouco conhecido entre os italianos, ignorando os apelos do M5S, segundo partido mais votado. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA

archivado en