Em Davos, olhos estarão voltados ao protecionista Trump

Presidente testará primeiro ano de mandato no fórum dos liberais

Protesto contra Trump em Berna, capital da Suíça
Protesto contra Trump em Berna, capital da Suíça (foto: EPA)
17:42, 23 JanSÃO PAULO Lucas Rizzi

(ANSA) - A partir desta terça-feira (23), a pequenina cidade de Davos, no leste da Suíça, receberá algumas das pessoas mais poderosas - e ricas - do planeta para, sob as temperaturas glaciares dos Alpes, discutir maneiras de manter a economia mundial aquecida.

Os temas na agenda do 48º Fórum Econômico Mundial de Davos são muitos: das moedas virtuais às denúncias de assédio sexual no setor produtivo, passando pela epidemia de notícias falsas e a chamada "Quarta Revolução Industrial". Mas as atenções devem se voltar para um personagem, Donald Trump.

Após um ano inteiro golpeando acordos multilaterais, como o presidente protecionista da maior economia do planeta se comportará no fórum dos liberais? A presença do republicano na Suíça, uma potencial catalisadora de protestos de grupos de esquerda, chegou a ser ameaçada pela paralisação do governo norte-americano, mas a iminente aprovação de um orçamento provisório pelo Senado deve liberar o magnata para se juntar a seus pares.

"Acredito que sua presença represente mais a participação protocolar dos Estados Unidos na discussão do que propriamente seus pensamentos e ideais", explica Jefferson Nery do Prado, professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

Segundo ele, os EUA são, historicamente, um país habituado a ignorar tratados globais, tradição mantida por Trump, que rompeu com o Acordo de Associação Transpacífico (TPP) e o Acordo de Paris sobre o Clima, ambos costurados pelo democrata Barack Obama. "Sendo um presidente que prega a construção de muros e protecionismo, me parece que sua presença será meramente diplomática", acrescenta Prado.

Um dos momentos mais aguardados do fórum é um possível embate ideológico entre Trump e os principais líderes da União Europeia, o francês Emmanuel Macron e a alemã Angela Merkel, que devem se pronunciar em defesa da globalização e do multilateralismo.

Para o professor do Mackenzie, é provável que, apesar de sua retórica protecionista, Trump mostre entender a importância de um mercado aberto, "principalmente em prol dos EUA".

Brasil

Às voltas com uma economia em recuperação, mas ainda cambaleante, o presidente Michel Temer também marcará presença em Davos e deve bater na tecla da queda da inflação e da retomada do crescimento.

"Como carecemos de investimento de longo prazo, principalmente em infraestrutura, apresentar um cenário econômico favorável, mesmo com a instabilidade política que tem ocorrido, pode ser um bom sinal para mitigar a desconfiança do investidor no Brasil", diz Prado.

A frase "O Brasil voltou" deve ser o mote da participação de Temer no fórum, como já adiantou o ministro da Secretaria-Geral da Previdência da República, Moreira Franco. O mandatário embarca para a Suíça às 22h desta segunda. (ANSA)

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