Especial/De Gana a Bermudas, o outro lado dos Jogos de Inverno

Países sem tradição esportiva no gelo prometem agitar competição

Jamaicanas tentarão surpreender nos Jogos Olímpicos de Pyeongchang (foto: EPA)
14:16, 07 FevPYEONGCHANG Por Enrico Marcoz

(ANSA) - Do trenó de Gana ao esquiador togolês, há um pouco de tudo na lista dos 2.919 atletas inscritos para os Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, que começam no dia 9 de fevereiro na cidade da Coreia do Sul.

Um elenco que compreende muitos atletas de segundo ou terceiro nível, muitos com duplo passaporte, que escolhem times "menores" para ter a certeza de um passe olímpico. E não falta qualquer "azarão" que mira um momento pessoal de glória.

Começando pela África, Gana será representada por Akwasi Friompong, no skeleton. Ele já foi campeão junior alemão em corridas, mas mudou de esporte após sofrer uma lesão e chegou a atuar na equipe holandesa de bobslead.

Para financiar a expedição até à Coreia, ele passou os últimos dois anos vendendo aspiradores de pó de porta em porta.

"Represento Gana, que fiz entrar no mapa dos esportes de frio. Sou apenas grato de poder ser parte de um pouco da história do meu país. Esses Jogos são para mim uma maneira de superar as barreiras e mostrar também que os negros e os africanos podem fazer no esporte", disse o atleta.

No esqui alpino estarão presentes as cores do Marrocos, Quênia, África do Sul, Eritreia e Togo. Esta última, terá a participação de Alessia Dipol, nascida na cidade italiana de Pieve di Cadore, já afiliada por alguns anos à Federação de Esqui da Índia e naturalizada togolesa - país ao qual foi porta-bandeira em Sóchi, em 2014.

A Nigéria, ao invés disso, terá três mulheres - duas no bobslead e uma no skeleton.

Da América do Sul, chegam duas delegações maiores: a de atletas brasileiros (10) e a dos argentinos (6). Pela Argentina, também disputam os irmãos Nicol e Sebastiano Gastaldi, nascidos em Piove di Sacco, em Pádua, ambos nas provas técnicas de esqui alpino.

Completam a lista Porto Rico (um esquiador norte-americano naturalizado), a Jamaica (no bobslead em dupla e no skeleton), a Colômbia (esqui e patinação) e o Equador (no esqui de fundo). O equatoriano Rodriguez Junbluth, 38 anos, disputará o esqui nórdico depois de disputar provas no levantamento de peso.

Em seu país, ele se tornou praticamente uma estrela, sendo o primeiro a disputar uma edição de Jogos de Inverno.

"Me chamam de 'esquiador do asfalto' porque eu treinava em estradas com um par de esquis trazidos de Noruega. Era a primeira vez que as pessoas viam algo assim. Não entendiam o que eu estava fazendo", relatou Junbluth. Para poder se inscrever em Pyeongchang, ele precisou ainda convencer o Comitê Olímpico do Equador a fundar uma federação para esportes de inverno.

Do continente americano, ainda há um representante de Bermudas, que disputa prova de fundo.

A Ásia, enfim, tem um mix de atletas - do Paquistão (esqui alpino e de fundo) às Filipinas (esqui alpino e patinação).

Aparecem no elenco os fundistas da Mongólia, os esquiadores do Líbano e do Irã, os patinadores da Malásia, o competidor de slalom de Timor Leste e outro do Hong Kong, o saltador da Índia e uma delegação de Israel.

Já a Tailândia terá os irmãos fundistas, Mark e Karen Chanloung, nascidos e crescidos no Vale de Aosta. Tonga terá o "famoso" Pita Tautafofua, 34 anos, que disputou taekwondo nos Jogos Olímpicos de Verão do Rio de Janeiro, em 2016, e agora estará no esqui de fundo.

"Para mim, é uma promessa que fiz no início de 2017. Escolhi o esporte mais difícil para este novo desafio", disse.

Ou seja, o esporte une todos - vencedores ou apenas competidores. (ANSA)

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