Especial/Os cenários possíveis do pós-eleição na Itália

O presidente Sergio Mattarella terá papel determinante

O presidente Sergio Mattarella pode ter papel determinante na formação do novo governo
O presidente Sergio Mattarella pode ter papel determinante na formação do novo governo (foto: ANSA)
19:58, 02 MarSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Governo técnico, com um objetivo específico, de minoria, do presidente. São muitas as fórmulas citadas, até pelos próprios protagonistas políticos, caso saia das urnas um Parlamento sem maioria clara na Itália.

Neste cenário, nenhum partido ou coalizão terá os assentos necessários na Câmara e no Senado para governar sozinho, abrindo um leque de opções para o presidente da República, Sergio Mattarella, a quem cabe designar o primeiro-ministro.

Na sessão de abertura do Parlamento, em 23 de março, haverá a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, quando o chefe de Estado poderá entender mais claramente a composição de forças no Legislativo.

Em seguida, os eleitos terão até 25 de março para a formação de grupos parlamentares. Após essa etapa, Mattarella iniciará consultas com os líderes partidários e de bancada. Se o presidente perceber que há dificuldades para formar uma maioria estável, ele pode dar um mandato exploratório (ao chefe da Câmara ou do Senado, por exemplo) para facilitar as negociações.

O mesmo "explorador", em um segundo momento, pode até receber o encargo de formar o governo. Outra hipótese é o próprio Mattarella exercer o papel de mediador, no chamado "governo do presidente". É o que ocorreu em 2013, quando Giorgio Napolitano interveio para formar uma coalizão entre a centro-esquerda e o partido de Silvio Berlusconi.

Esse mesmo governo, que durou menos de um ano, remete a mais uma possibilidade: uma grande coalizão, ou seja, uma aliança entre forças políticas historicamente adversárias. Essa hipótese é rechaçada categoricamente por todos os partidos, mas o cenário poderia mudar após as eleições.

As coalizões mais ventiladas pela imprensa italiana são entre Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, e o conservador Força Itália (FI), de Berlusconi; entre o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e os ultranacionalistas de Liga Norte e Irmãos da Itália (FDI); e entre PD, M5S e a lista de esquerda Livres e Iguais (LeU).

Outra possibilidade, talvez mais complexa, diz respeito sobretudo ao M5S: um governo de minoria, com alianças variáveis e decididas de acordo com o projeto de lei em debate no Parlamento. Comum nos países nórdicos e até na Espanha, esse tipo de governo enfrenta, na Itália, o obstáculo da exigência da passagem pelo voto de confiança.

Esse cenário envolveria o M5S, pois o movimento desponta como o mais votado individualmente, mas longe de garantir a maioria necessária para governar. Também cogita-se a fórmula de um governo de propósito específico, ou seja, um gabinete formado exclusivamente para aprovar uma lei eleitoral que garanta maioria clara ao vencedor em novas eleições.

Por fim, fala-se ainda em um "governo técnico", como ocorreu com Mario Monti. Neste caso, o cargo de primeiro-ministro seria dado a uma personalidade externa, ou seja, que não foi eleita, mas que ainda assim teria de obter o voto de confiança dos parlamentares. (ANSA)

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