É possível ter uma vida 100% segura?

Participantes da Exposec dão dicas para aumentar proteção

Policiais em guarda em São Paulo: as preocupações com a segurança não devem se restringir ao mundo físico
Policiais em guarda em São Paulo: as preocupações com a segurança não devem se restringir ao mundo físico (foto: EPA)
18:04, 04 MaiSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O Brasil é um país violento, isso não é novidade para ninguém. No entanto, assim como em outras partes do mundo, a insegurança tem deixado a exclusividade do plano físico para ameaçar a vida das pessoas também no ambiente digital, onde a ausência de um rosto para o perigo passa uma falsa sensação de tranquilidade. Mas até que ponto é possível ter uma existência 100% segura ou, pelo menos, minimizar os riscos que nos rondam todos os dias?

Para quem vive em grandes cidades, há algumas recomendações já conhecidas: andar sempre atento, não usar celular na rua, levar bolsas na frente do corpo, evitar locais isolados, especialmente à noite, não ficar dentro do carro se estacionar em via pública, observar o entorno ao chegar em casa, e por aí vai.

Ainda que algumas situações sejam inevitáveis, prestar atenção em tudo o que acontece à sua volta e não ceder ao automatismo da rotina pode reduzir os riscos de engrossar estatísticas. Para Rubymar Marthyns, gerente comercial da VirtuEyes, as pessoas, em geral, costumam descuidar de todos os aspectos da segurança.

"Ainda somos muito distraídos e descuidados", diz. Sua empresa, uma das expositoras da feira internacional de segurança Exposec, que acontece de 22 a 24 de maio, em São Paulo, é especializada em gestão de conectividade no universo M2M (Máquina para Máquina) e IoT (Internet das Coisas).

Marthyns cita algumas soluções e tecnologias disponíveis no mercado que podem aumentar a segurança das pessoas, como drones, fechaduras digitais, cercas virtuais, botões de pânico, olhos mágicos inteligentes, geradores de neblina contra invasores, câmeras de alta resolução e sistemas de reconhecimento facial.

Já para Rita Peres, coordenadora de segurança patrimonial e corporativa no Hospital das Clínicas, as pessoas relaxam quando se sentem seguras, seja dentro de seu automóvel, em sua casa, no trabalho ou até mesmo em locais públicos fechados.

"Nossa percepção é que, até a porta de entrada, a responsabilidade é individual. Ao acessar o hospital, a responsabilidade é transferida para a segurança corporativa", diz ela, que palestrará no 1º Congresso da Escola Superior de Segurança (ESS), entre 23 e 24 de maio, na Exposec.

De acordo com ela, as pessoas pensam que, por estar em um mesmo ambiente e compartilhando necessidades parecidas, todos naquele lugar são "iguais". "Então não vão roubar minha bolsa nem meu celular, posso deixar meus pertences em cima da cadeira, posso colocar meu celular para carregar em uma tomada do corredor onde passam 17 mil pessoas por dia que ninguém vai levar", acrescenta.

Digital

Se nas ruas as pessoas já estão acostumadas com o perigo, os riscos no ambiente digital ainda são bastante subestimados, e a falta de cuidado com a privacidade pode acabar se tornando um transtorno.

"As pessoas usam uma única senha para tudo, e isso é muito perigoso. O primeiro passo para uma vida digital mais segura é definir senhas complexas e distintas para serviços importantes, como bancos, redes sociais e sistemas de gestão da empresa, por exemplo", afirma Vinicius Bastos, diretor da Munddo, distribuidora de sistemas para automação residencial e predial que estará na Exposec.

Ele também recomenda usar a autenticação de dois fatores, ou seja, a confirmação via SMS ou email quando há uma tentativa de acesso a partir de um dispositivo diferente. "Outro ponto que é bom lembrar é a senha do Wi-Fi. É importante usar senhas complexas, por mais incômodo que isso seja. Se alguém entrar em sua rede, certamente terá acesso a seus dados e sistemas de segurança que estão conectados", acrescenta.

Entre as novidades que ajudam a aumentar a segurança digital estão o "Google Authenticator", que gera um token para cada site acessado, e o reconhecimento facial do Apple Pay, sistema que protege as pessoas contra clonagem de cartões de crédito.

Rita Peres, do Hospital das Clínicas, ainda cita outro problema: o excesso de exposição da vida privada nas redes sociais. "Há pessoas especializadas no mal e que têm todo o tempo do mundo para observar famílias nas redes e atuar com ações maléficas", explica.

Segundo ela, existe hoje uma gama enorme de equipamentos de segurança que precisam ser integrados com inteligência. Mas, para a coordenadora, não é possível ter "100% de segurança", uma vez que muitos projetos ainda estão nas mãos de pessoas "despreparadas". "Ainda há muitos furos que com certeza são falhas humanas", salienta.

Outro segmento em franco desenvolvimento é o de M2M e IoT, cuja popularização também aumenta a demanda por segurança digital. "O mercado de segurança tem crescido expressivamente. As empresas têm adotado tecnologias que visam proteger tanto as suas operações comerciais quanto os colaboradores e por fim impactam no consumidor final", afirma Eduardo Resende, managing director da operadora Vodafone Brasil, que levará à Exposec soluções para os setores automobilístico, de transporte e de segurança.

Cuidados

Não basta, no entanto, comprar uma série de equipamentos modernos para garantir sua segurança. Marthyns, da VirtuEyes, recomenda sempre procurar empresas "estruturadas e reconhecidas no mercado". "Evite comprar pelo menor preço, normalmente dá errado quando acontece algum sinistro", diz.

A recomendação encontra eco em Vinicius Bastos, da Munddo. "O principal cuidado é, mesmo que custe um pouco mais caro, investir em quem sabe instalar e configurar o sistema para que este não fique vulnerável. É comum as pessoas nem trocarem a senha padrão do administrador", afirma. Outra recomendação é buscar informações sobre o fornecedor na Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), uma das promotoras da Exposec, junto com a Cipa Fiera Milano.

"Costumo brincar comparando com o Fusca, que todo mundo tinha, todo mundo sabia mexer, compravam peças de reposição até em mercadinho. Hoje temos uma quantidade inacreditável de empresas que vendem equipamentos de segurança, e cada uma promete um milagre. Mas é preciso entender que não há equipamento que resolva um problema sem integração com sistemas e inteligencia", conclui Peres. (ANSA)

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