Especial/O nacionalismo das torcidas de clubes italianos

Diversos times têm organizadas de extrema direita

Especial/O nacionalismo das torcidas de clubes italianos
Especial/O nacionalismo das torcidas de clubes italianos (foto: ANSA)
14:42, 26 SetSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Por Renan Tanandone - Em meio à falência de dezenas de clubes italianos, uma onda de atitudes nacionalistas envolvendo torcedores organizados vem atingindo o futebol do país da bota nas últimas temporadas.

A Lazio, conhecida por ter uma das torcidas mais nacionalistas do futebol, os "Irriducibili", está no centro da polêmica. O episódio mais recente e que chamou atenção de todo o país foi o dos adesivos antissemitas colados por torcedores no Estádio Olímpico, em outubro de 2017.

Na ocasião, ultras espalharam pelo estádio panfletos que retratavam Anne Frank, adolescente de origem judaica morta na Segunda Guerra Mundial, com a camisa da Roma, além de frases contra judeus.

Por causa do episódio, a Lazio recebeu uma multa de 50 mil euros, e 12 torcedores foram banidos de partidas de futebol na Itália por cinco anos, e um, por oito.

No entanto, o clube biancoceleste não é o único italiano com grupos de torcedores nacionalistas. De acordo com o jornal "The Guardian", existem na Itália 382 torcidas organizadas, sendo que cerca de 40 são de extrema direita, totalizando 8 mil membros.

Outra torcida muito conhecida pelo nacionalismo são as "Brigate Gialloblù", do Hellas Verona. Em 1996, os ultras penduraram na arquibancada um manequim preto, como forma de protesto contra a contratação de Maickel Ferrier, jogador holandês de origens africanas, que acabou não se concretizando.

Ainda nos anos 1990, as "Brigate Gialloblù" lançaram bananas em campo quando o peruano Julio César Uribe, na época defendendo o Cagliari, foi enfrentar o Hellas Verona. O ex-meio-campista foi um dos primeiros negros a atuar no futebol italiano.

Os ultras do Hellas Verona fazem parte do grupo nacionalista intitulado "Triveneto", composto também por organizadas do Vicenza, Padova, Treviso e Triestina. Os cinco clubes são, constantemente, alvos da Divisão de Investigações Gerais e Operações Especiais (Digos) da polícia italiana.

Em outra ocasião, um grupo de torcedores antissemitas da Udinese criticou a tentativa do clube de comprar o ex-atacante israelense Ronnie Rosenthal. Já torcedores da Lazio, nos anos 1990, protestaram com frases nazistas quando o time assinou com o holandês Aron Winter, filho de mãe judia e pai muçulmano.

Além de se expressar nos estádios com músicas e faixas, os torcedores membros de grupos nacionalistas também se manifestam na internet. Muitos deles costumam exibir tatuagens fascistas e seus feitos nas redes sociais, como Facebook e Instagram.

Política 

Frequentemente, o nacionalismo também é o laço que une o esporte à política. O atual prefeito do Verona, Federico Sboarina, é frequentador assíduo da "curva" que abriga a organizada do Hellas, assim como seu ex-vice Lorenzo Fontana, hoje "ministro para as Famílias" do governo italiano.

Ambos são tidos como próximos a movimentos de extrema direita no Vêneto. Além disso, o também ministro Matteo Salvini, torcedor fanático do Milan, apareceu recentemente no estádio vestindo a jaqueta de uma marca ligada ao movimento neofascista CasaPound.

"Muitos ativistas dos chamados movimentos soberanistas preferem essa marca porque ela é completamente 'made in Italy'", justificou, na época, o secretário do CasaPound, Simone Di Stefano. (ANSA)

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