2018: Arábia Saudita, da espera de reformas ao autoritarismo assassino

A expectativa de mudanças para 2018 foi manchada pela morte de Jamal Khashoggi

Assassinato de Jamal Khashoggi afetou imagem da Arábia Saudita
Assassinato de Jamal Khashoggi afetou imagem da Arábia Saudita (foto: ANSA)
14:26, 26 Dez zbf

(ANSA) – A Arábia Saudita começou o ano de 2018 sob olhares ansiosos da comunidade internacional pela implementação de reformas inéditas anunciadas pelo príncipe Mohammad bin Salman.


Na posição de herdeiro desde junho de 2017, Bin Salman fizera, desde então, uma série de anúncios que indicavam uma flexibilidade e abertura social, como a autorização para mulheres dirigirem carros e a reabertura de cinemas pelo país (medidas que entraram em vigor em junho e abril deste ano, respectivamente).


O objetivo principal do príncipe, porém, era que essas e outras políticas ajudassem a Arábia Saudita a atravessar uma reformulação econômica para reduzir a dependência do petróleo e os efeitos das oscilações do preço dos hidrocarbonetos.


Mas as aberturas foram osfucadas por outras decisões do príncipe que transpareceram um ar autoritário e até colocaram em dúvida a capacidade da Arábia Saudita realmente se reformular.
As organizações não-governamentais Human Rights Watch (HRW) e Anistia Internacional começaram a denunciar dezenas de prisões de jornalistas, escritores, ativistas e religiosos no país.


A maior denúncia, porém, veio em outubro de 2018, com o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi. O repórter, crítico ao regime e colunista do “The Washington Post”, nunca mais foi visto depois que entrou no consulado saudita em Istambul, na Turquia.


Investigações turcas apontam que Khashoggi foi brutalmente assassinado dentro do consulado, com o conhecimento – e possivelmente ordem – do príncipe herdeiro.


O episódio manchou a imagem da Arábia Saudita, que vinha tentando justamente mudar sua percepção pelo mundo ocidental.


Se antes a comunidade internacional demonstrava expectativa em relação ao futuro da Arábia Saudita, hoje o príncipe herdeiro causa incômodo nos líderes políticos.


Mohammad bin Salman ficou praticamente isolado na cúpula do G20, ocorrida no início de dezembro, em Buenos Aires, na Argentina. Apenas o presidente russo, Vladimir Putin, arriscou falar e ser fotografado com ele em público. (ANSA)

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