Bolsonaro chega em Davos para tentar melhorar imagem

Presidente fará discurso de abertura do evento nesta terça (22)

Protesto em Berna, capital da Suíça, contra o Fórum Econômico Mundial fala em
Protesto em Berna, capital da Suíça, contra o Fórum Econômico Mundial fala em "matar Bolsonaro" (foto: EPA)
21:29, 21 JanSÃO PAULO Lucas Rizzi

(ANSA) - A partir de 12h30 (horário de Brasília) desta terça-feira (22), o mundo estará de olho em Jair Bolsonaro. O presidente fará um discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos, a meca do liberalismo global, e tentará desconstruir a imagem negativa que sua vitória provocou no exterior.

Na ausência de Donald Trump, Xi Jinping e Emmanuel Macron, Bolsonaro deve ser a principal estrela na cidade suíça, e o tamanho de sua comitiva deixa transparecer a importância que o governo dá para o evento.

Além do presidente, estão em Davos os ministros Paulo Guedes (Economia), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral da Presidência) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), assim como o deputado federal Eduardo Bolsonaro.

A delegação ficará quatro dias em Davos, algo raro para chefes de Estado, que costumam permanecer apenas um. Por conta disso, será uma oportunidade rara para Bolsonaro mostrar ao mundo, que ainda o vê como um enigma, quais são suas ideias para além da campanha eleitoral.

"A expectativa não é que Bolsonaro mude da água para o vinho, mas esse palco vai permitir que ele modere um pouco as posições, e isso já é trilhar um bom caminho", diz o sociólogo Rogério Baptistini, da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Ao chegar no vilarejo alpino, o presidente declarou que pretende mostrar que está "tomando medidas" para restabelecer a confiança no Brasil. Davos é o principal fórum dos liberais, que anseiam por saber as políticas defendidas por Guedes para abrir o mercado brasileiro.

Mas os participantes do congresso também costumam dar espaço a outros temas, como o multilateralismo e as mudanças climáticas, que não estão na agenda do governo Bolsonaro. "Do ponto de vista de economia, me parece que vai ser uma oportunidade para vender o Brasil, as reformas, os ajustes estruturais, redução do gasto público, diminuição do tamanho do Estado e receptividade ao investimento estrangeiro, que são importantes para aquele público", explica Baptistini.

Já questões de interesse político, como migração, clima e direitos humanos, o sociólogo vê como um "grande risco". "Se ele não assumir uma postura convincente no fórum, pode afastar investidores, contribuir para isolar o Brasil e soar até como exótico. A minha expectativa é que o papel do chanceler Ernesto Araújo seja menor que o de Paulo Guedes", acrescenta.

Segundo Baptistini, se as frentes econômica e política não estiverem "equilibradas", o governo pode "cair no ridículo". "Espero que Bolsonaro priorize a posição mais econômica e multilateral de Paulo Guedes e se afaste das pautas mais exóticas e isolacionistas de Ernesto Araújo", reforça. (ANSA)

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