Moise Kean, o jovem atacante que simboliza a nova Itália

Jogador de 19 anos já é destaque da Azzurra e da Juventus

Moise Kean comemora gol pela Azzurra nas Eliminatórias
Moise Kean comemora gol pela Azzurra nas Eliminatórias (foto: ANSA)
12:08, 01 AbrROMA Renan Tanandone

(ANSA) - O jovem atacante da Juventus Moise Kean, de 19 anos, foi o grande nome da Itália nas duas primeiras partidas das Eliminatórias para a Eurocopa de 2020.

Marcando um gol em cada confronto, o jogador vem sendo considerado uma das grandes revelações do futebol italiano. No entanto, o atleta promete sacudir não só o esporte, mas também a política do país.

Kean nasceu na cidade de Vercelli, no norte da Itália, e atuou nas categorias de base da Juve até o ano de 2016, quando foi promovido ao elenco principal pelo técnico Massimiliano Allegri.

Após uma rápida passagem pelo Hellas Verona por empréstimo, o atacante fez história, apesar da pouca idade. Com a camisa da Velha Senhora, Kean foi o primeiro jogador nascido nos anos 2000 a marcar gols na Série A do Campeonato Italiano.

Além disso, o tento contra a Finlândia, na estreia das Eliminatórias para a Euro, fez o atacante se tornar o jogador mais jovem a marcar pela seleção italiana desde 1958. Kean também é o mais novo a iniciar uma partida pela Azzurra desde 1912.

Ao lado de Nicolò Zaniolo, da Roma, e Gianluigi Donnarumma, do Milan, o atacante é uma das apostas do técnico Roberto Mancini para reformular a Azzurra, após o fiasco de ter ficado de fora da Copa do Mundo de 2018. Na atual temporada, Kean possui oito partidas pela Juventus e já marcou quatro gols. O primeiro foi na vitória por 2 a 0 sobre o Bologna, pela Copa da Itália.

Fora dos gramados

Se o bom futebol de Kean já é destaque, o atleta, filho de imigrantes da Costa do Marfim, e sua família também chamam atenção fora dos gramados. O pai do jogador, Biorou Jean Kean, aproveitou o bom momento do filho para revelar que a Juventus está devendo dois tratores a ele.

O atacante é cria da Velha Senhora, mas quase deixou o clube bianconero para jogar no Milan ou no futebol inglês, já que não estava tendo oportunidades. Biorou, no entanto, acertou a permanência do filho na Juve com uma condição: os tratores.

"A Juventus ofereceu um contrato de 700 mil euros por ano, um valor muito bom. Mas o problema é que prometeram dois tratores para o meu negócio na Costa do Marfim e agora dizem que não há dinheiro para isso. Tenho vários hectares de terra no meu país e quero cultivar arroz e milho. Pedi a maquinaria e me disseram que não haveria nenhum problema, mas agora as coisas mudaram", disse Biorou em entrevista à emissora "Rai1".

Kean, por sua vez, afirmou que desconhece o caso dos tratores e que deve tudo que aprendeu na vida à mãe, Isabelle - os pais do atacante se separaram quando ele e seu irmão mais velho, Giovanni, eram crianças. "Se eu sou o homem que sou hoje, é graças só à minha mãe. Com isso, eu disse tudo! Nunca esqueça a pessoa que te alimentou", escreveu o jovem em suas redes sociais.

Além da história dos tratores, a família ganhou as manchetes devido à admiração do pai do jogador pelo vice-premier e ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, expoente da extrema direita e membro do partido Liga. Biorou, que está há mais de 30 anos no país da bota, afirmou que "gosta" de Salvini, que se tornou a figura mais popular do governo ao bloquear a entrada de migrantes no país pelo Mar Mediterrâneo.

A admiração pelo ministro é tanta que o pai se inscreveu na Liga e pretende até se candidatar nas próximas eleições. No entanto, Biorou não possui cidadania italiana, o que pode frustrar seu objetivo. "Ficaremos muito felizes em hospedá-lo em um evento que organizaremos em Vercelli, onde conheceremos os candidatos da Liga. Se ele quiser, estamos prontos para registrá-lo como um membro de apoio", disse o secretário da Liga na província de Vercelli, Gian Carlo Locarni.

Kean, por sua vez, já disse que os filhos de imigrantes nascidos no país devem ser considerados italianos, indo de encontro a uma das principais batalhas movidas por Salvini, que é contra o princípio do "jus soli" ("direito de solo"). "Sou cidadão italiano desde o nascimento, meus pais estão aqui há mais de 30 anos. Se vivemos aqui, devemos ser tratados como italianos", afirmou o atacante no fim de março.

Enquanto isso, o camisa 18 salvou neste sábado (30) a Juventus de um tropeço. O jovem jogador marcou o único gol da vitória da Velha Senhora sobre o Empoli, três minutos após ter entrado em campo. Com o time de Turim sobrando na competição, o atleta está cada vez mais próximo de conquistar seu primeiro título do Campeonato Italiano na carreira. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA