Especial/Além das invenções, Leonardo é modelo para ciência

O gênio mostrou a importância do diálogo entre disciplinas

Estátua de Leonardo Da Vinci em Florença, na Itália
Estátua de Leonardo Da Vinci em Florença, na Itália (foto: Wikimedia Commons)
15:13, 02 MaiROMA Enrico Battifoglia

(ANSA) - Há 500 anos da morte de Leonardo Da Vinci, sua imagem de homem genial ainda passa por mudanças: se no início do século 20 ele era visto como um gênio isolado capaz de antecipar invenções tornadas atuais apenas depois de muito tempo, as análises históricas mais recentes esclareceram que nem sempre as coisas foram assim.

Mas isso, é claro, não diminui a importância de Leonardo. Pelo contrário. Sua grande curiosidade, que o fazia ter um olhar de 360 graus sobre todos os aspectos do conhecimento, está virando um modelo para a ciência contemporânea, na qual disciplinas muito diferentes estão aprendendo a dialogar.

O helicóptero, o paraquedas, os robôs humanoides e até o carro são apenas algumas das invenções tornadas célebres pelo mito. Descritas nas milhares de folhas reunidas em seus "códigos", as criações de Leonardo não eram diferentes daquelas pensadas por outros engenheiros do Renascimento.

Os desenhos de Leonardo eram os únicos que apresentavam as máquinas em perspectiva, mas se inspiravam em outros que já circulavam em sua época, em uma estreita rede de relações reveladas por inúmeros historiadores nas últimas décadas.

Também descobriu-se que muitas das máquinas projetadas por Leonardo nunca poderiam funcionar, seja pelas dimensões, como a balestra gigante, seja pelos materiais que seriam usados na época, como madeira, ferro e cordas.

O parafuso helicoidal, considerado precursor do helicóptero, não tinha nada a ver, nas intenções de Leonardo, com o voo. Este último tema aparece no código sobre o voo das aves, cuja observação se torna, por analogia, chave para projetar uma máquina voadora.

Essa relação é considerada hoje um elemento crucial para se entender o conhecimento de Leonardo. Em uma época onde a ciência não existia, as observações e a curiosidade eram os únicos instrumentos para descobrir semelhanças entre fenômenos aparentemente distantes, como os vórtices de água e os cabelos enrolados pelo vento, as raízes das plantas e os vasos sanguíneos.

O resultado era uma visão global do conhecimento na qual começam a se reconhecer alguns pesquisadores empenhados em campos de fronteira, como a robótica inspirada na biologia, a física de partículas e a astrofísica, a genética e a informática. (ANSA)

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