'Última fortaleza' de gelo derrete no Ártico

A camada era a mais espessa e antiga da região

'Última fortaleza' de gelo derrete no Ártico
'Última fortaleza' de gelo derrete no Ártico (foto: Ansa)
11:36, 23 AgoROMA ZLR

(ANSA) - O Ártico sentiu os efeitos do aquecimento global. O gelo marinho mais espesso e antigo da região, no norte da Groenlândia, quebrou recentemente, por causa dos ventos quentes e ondas de calor que atingem o Hemisfério Norte.

O fenômeno, nunca antes visto, foi notado por imagens de satélites e levou os cientistas a ativarem um alarme, preocupados com os ursos polares.

O mar acima da Groenlândia era definido pelos cientistas como "a última área de gelo" e "último baluarte" contra as mudanças climáticas e derretimentos das geleiras, porque presumiam que seria a última região do norte a sofrer pelo aquecimento global.

Mas neste ano, já pela segunda vez, o gelo marinho se soltou e as águas se abriram, em um evento nunca visto desde os anos 1970, isto é, desde que começaram os registros por satélite.

"No passado, a maior parte do gelo no Ártico durava anos, e agora, quase a sua totalidade se renova anualmente. A única área em que o gelo durava anos era no norte da Groenlândia, mas essa última fortaleza se soltou e está se afastando do litoral", explicou ao jornal inglês "Independent" Peter Wadhams, chefe do Polar Ocean Physics Group, da Universidade de Cambridge.

O fenômeno pode ter consequências graves para a fauna local, principalmente para o urso branco, que encontrava no gelo marinho seu alimento. "Os ursos polares escavam buracos na neve e na primavera saem para caçar. Se o gelo se mudou para o mar aberto, eles ficam sem área de caça", contou Wadhams.

"Os ursos não podem viajar muito longe a nado. Se a distância da costa se tornar uma característica permanente, não haverá mais gelo marinho sobre o qual caçar. Eles perderiam seu habitat natural", concluiu o pesquisador. (ANSA)

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