Cientistas pedem para UE cobrar Bolsonaro sobre florestas

Texto publicado na Science é assinado por 602 especialistas

Índios protestam contra Jair Bolsonaro em Brasília
Índios protestam contra Jair Bolsonaro em Brasília (foto: EPA)
14:50, 26 AbrBRUXELAS ZLR

(ANSA) - Um grupo de 602 cientistas europeus e duas organizações indígenas brasileiras lançou um apelo para a União Europeia usar as negociações comerciais com o Mercosul para cobrar do governo de Jair Bolsonaro mais proteção aos direitos humanos e ao meio ambiente.

O texto foi publicado na revista Science e acusa a UE de importar matérias-primas associadas à destruição da Floresta Amazônica, como minerais e soja. Além disso, afirma que o novo governo brasileiro está "desmantelando" políticas contra o desmatamento.

"Trabalhando para o desmantelamento das políticas contra o desmatamento, a nova gestão do Brasil ameaça os direitos dos indígenas e as áreas naturais que eles protegem", ressalta o apelo.

Bruxelas negocia há mais de 10 anos um acordo comercial com o Mercosul, mas as conversas estão travadas. "A UE deve assegurar que a comida que comemos não contribua para a violação dos direitos humanos ou para a destruição de florestas no Brasil e em qualquer outro lugar", salienta o braço europeu do Greenpeace.

Os cientistas querem que a UE condicione um futuro acordo comercial com o Mercosul à promessa de que o Brasil apoiará a declaração da ONU sobre os direitos dos povos indígenas e fornecerá garantias de que produtos de exportação não sejam provenientes de áreas desmatadas.

Nos primeiros dias de seu governo, Bolsonaro transferiu a demarcação de terras da Fundação Nacional do Índio (Funai) para o Ministério da Agricultura e facilitou a conversão e descontos de multas ambientais.

Segundo o relatório anual do Global Forest Watch, think tank da Universidade do Maryland, nos Estados Unidos, um quarto da perda de floresta tropical e um terço da destruição de floresta virgem no mundo em 2018 ocorreram no Brasil. (ANSA)

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