Governo Bolsonaro rebate 'WP' por críticas à política ambiental

Jornal americano fez editoral no dia 5/08 sobre a Amazônia

Governo Bolsonaro rebate WP por críticas à política ambiental
Governo Bolsonaro rebate WP por críticas à política ambiental (foto: Cortesía Instituto Sinchi.)
18:26, 08 AgoBRASÍLIA E WASHINGTON ZCC

(ANSA) - O governo brasileiro rebateu, por meio de uma carta, as críticas à política ambiental do presidente Jair Bolsonaro feitas pelo jornal americano The Washington Post na última segunda-feira (5).

"Seu editorial 'Sem Amazônia, o planeta está condenado' está cheio de imprecisões graves e pressupostos errados sobre as políticas ambientais adotadas pelo governo brasileiro", diz a correspondência do ministro-conselheiro da Embaixada do Brasil em Washington, Nestor Forster, dirigida ao diretor-executivo do jornal, Martin Baron.

No documento, a embaixada questiona o "sensacionalismo" com o qual a imprensa trata a agenda da Amazônia com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), cujo diretor, Ricardo Galvão, foi demitido na semana passada após divulgar que o desmatamento na floresta cresceu 88% no mês de junho. Na ocasião, o presidente Bolsonaro considerou os dados "falsos".

Ontem(7), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, forneceu detalhes sobre os novos métodos de medição do desmatamento que serão aplicados ao Inpe.

"O governo do Brasil está comprometido com o desenvolvimento de um novo sistema, com informação de satélite de resolução mais alta e monitoramento em tempo real que vai resultar em maior exatidão e contribuir para os esforços de cumprimento da lei na Amazônia", afirma o texto de Forster, encarregado de negócios na embaixada até que um novo embaixador assuma o cargo.

As instruções dadas a Forster são para refutar a crítica da grande imprensa às iniciativas do mandatário brasileiro, principalmente porque o governo Bolsonaro está fazendo esforços para manter os recursos destinados ao Ministério do Meio Ambiente.

"Esses números desmentem o argumento de seu editorial de que os cortes do orçamento são motivados por políticas. Na verdade, eles são resultado de uma das crises fiscais mais graves da história do Brasil, herdada de governos anteriores."

O artigo do Washington Post questionado pela Embaixada ressalta que "é um problema que afeta a todos o fato de o novo presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, estar determinado a derrubar a floresta amazônica".

Além disso, a publicação faz uma comparação entre Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"Em sua negação da realidade, o populismo de direita de Bolsonaro se assemelha ao do presidente Trump. Os dois líderes alimentam suspeitas infundadas de que as preocupações ambientais são conspirações estrangeiras para minar a economia doméstica. Os dois estão comprometidos com a extração de recursos acelerada, ignorando as advertências de especialistas", diz o editorial.

A Amazônia tem ganhado as capas de diversos jornais pelo mundo.Recentemente, o norte-americano "The New York Times" e a revista "Foreing Policy" também escreveram sobre a maior floresta do mundo, assim como o britânico The Economist, principalmente depois do embate entre Bolsonaro e Galvão. (ANSA)

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