66 países fecham acordo para zerar emissões de CO2 até 2050

Meta está em linha com reivindicação de jovens ambientalistas

Cúpula das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas
Cúpula das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas (foto: EPA)
13:46, 23 SetROMA ZLR

(ANSA) - Um grupo de 66 países, 10 regiões, 102 cidades, 93 empresas e 12 investidores fecharam um acordo nesta segunda-feira (23), durante a cúpula das Nações Unidas (ONU) sobre o clima, em Nova York, para zerar suas emissões de gases poluentes até 2050.

A meta foi divulgada pelo gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, e está em linha com uma das principais reivindicações dos jovens que se manifestaram no mundo todo na última sexta-feira (20) para pedir ações mais eficazes contra as mudanças climáticas.

"A emergência climática é uma corrida que estamos perdendo, mas é uma corrida que podemos vencer", diz um comunicado das Nações Unidas. O objetivo divulgado nesta segunda mira zerar as emissões de dióxido de carbono (CO2), principal causador do efeito estufa, junto com o metano, nos próximos 31 anos.

No fim da semana passada, os líderes de 32 países, incluindo Alemanha, Coreia do Sul, Espanha, França, Itália, Moçambique e Portugal, já haviam divulgado uma declaração conjunta cobrando um compromisso para neutralizar as emissões de poluentes até 2050.

A ONU estima que o mundo precise manter o aquecimento global neste século no máximo em 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais para evitar uma catástrofe climática. Essa é uma das metas do Acordo de Paris, assinado em 2015, mas hoje está longe de se tornar realidade.

O tratado foi firmado por mais de 190 países, incluindo o Brasil, mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já anunciou sua retirada do acordo. A Rússia, por sua vez, assinou nesta segunda a adesão definitiva do país ao pacto climático.

Atualmente, apenas cerca de 20 nações incluíram a neutralidade de emissões até 2050 em suas legislações ou programas de governo, mas a União Europeia pretende chegar a um consenso entre seus membros até o ano que vem.

Cúpula

A cúpula climática da ONU antecede a sessão de debates na Assembleia Geral, que começará nesta terça (24), com o presidente Jair Bolsonaro. O discurso brasileiro na reunião sobre o clima foi vetado por não incluir metas para conter o aquecimento global.

Já o mandatário dos EUA, Donald Trump, não participaria do encontro, mas apareceu de surpresa durante o discurso do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e permaneceu durante 15 minutos, porém não se pronunciou.

A cúpula também teve uma mensagem em vídeo do papa Francisco, que afirmou que os compromissos dos países com o Acordo de Paris ainda estão "muito longe de alcançar os objetivos fixados". "É necessário se perguntar se existe uma real vontade política de destinar mais recursos humanos, financeiros e tecnológicos para mitigar os efeitos negativos das mudanças climáticas e ajudar as populações mais pobres e vulneráveis", disse.

Já a ativista sueca Greta Thunberg, que lidera a greve mundial de estudantes em prol do clima, acusou os governos de "roubarem os sonhos e a infância" das novas gerações. "Vocês estão nos decepcionando, mas os jovens começaram a entender sua traição, os olhos de todas as gerações futuras estão em vocês, e se vocês escolherem fracassar, jamais os perdoaremos", salientou. (ANSA)

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