COP25 começa em Madri em busca de avanços concretos

Cúpula climática da ONU acontece até 13 de dezembro

António Guterres durante COP25, em Madri
António Guterres durante COP25, em Madri (foto: EPA)
11:06, 02 DezROMA ZLR

(ANSA) - Começou nesta segunda-feira (2), em Madri, na Espanha, a Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP25, que era para acontecer em Santiago, mas mudou de sede por causa dos protestos contra a desigualdade no Chile.

Em seu discurso de abertura do evento, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a humanidade precisa escolher entre a "esperança" de um mundo melhor e a "rendição". "Nós realmente queremos ser lembrados como a geração que escondeu a cabeça na areia enquanto o planeta queimava?", questionou.

Guterres citou dados que mostram que a concentração de gases do efeito estufa no planeta atingiu um nível recorde e disse que, se não houver uma ação rápida para conter as emissões, "todos os nossos esforços para combater as mudanças climáticas estão destinados ao fracasso".

O Acordo de Paris sobre o clima, assinado em 2015, tem como principal meta manter o aquecimento global neste século inferior a 2ºC acima dos níveis pré-industriais, mas com esforços para limitar essa expansão a 1,5ºC. O aumento, no entanto, já gira em torno de 1ºC, o que aponta para um descumprimento do objetivo.

"Há 10 anos, se os países tivessem agido guiados pela ciência, eles precisariam ter reduzido as emissões em 3,3% por ano. Agora precisamos cortar as emissões em 7,6% por ano", acrescentou o secretário-geral.

Negociações

A COP25 acontece até 13 de dezembro e reúne 196 países, cujos negociadores tentarão encontrar maneiras de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, fenômeno que está na origem do aquecimento global e da atual crise climática no planeta.

As tratativas também buscam definir as regras dos mercados de carbono - venda de créditos de países mais verdes para nações mais poluentes - e mecanismos de ajuda para Estados vulneráveis.

Os maiores emissores de poluentes, como Estados Unidos, China e Índia, enviaram apenas delegações ministeriais ou de segundo escalação para a cúpula - o presidente Donald Trump já formalizou a retirada dos EUA do Acordo de Paris, que terá efeito em 4 de novembro de 2020.

A COP25 acontece sob presidência do Chile, apesar da mudança de sede, com apoio logístico da Espanha e da União Europeia. A ativista sueca Greta Thunberg chegará em Lisboa nesta terça-feira (3), após atravessar o Atlântico de veleiro, e também deve participar da cúpula. (ANSA)

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