UE adota plano para zerar emissões de carbono até 2050

A lei foi duramente criticada pela ativista sueca Greta Thunberg

A proposta da UE foi duramente criticada pela ativista sueca Greta Thunberg, que esteve presente no Parlamento Europeu (foto: EPA)
14:03, 04 MarBRUXELAS ZCC

(ANSA) - A Comissão Europeia adotou nesta quarta-feira (4) uma proposta de "lei climática" para garantir o cumprimento do compromisso assumido pela União Europeia de neutralizar suas emissões de dióxido de carbono (CO2), um dos causadores do efeito estufa, até 2050.

"Criamos a mudança climática, portanto cabe a nós agir. A lei climática guiará todas as nossas ações pelos próximos 30 anos, nos fornecerá as ferramentas para medir o progresso em direção à meta", disse Ursula von der Leyen, presidente da Comissão da UE, ao apresentar a primeira lei climática europeia.

A proposta prevê uma meta de zero emissões até 2050 e inclui medidas para que os progressos sejam avaliados a cada cinco anos, além de possibilitar ajustes nas ações.

A lei traz as diretrizes para a UE alcançar seu objetivo com base em uma avaliação de impacto, que contará com a apresentação de novas metas para 2030 para reduzir as emissões. Logo depois, será traçado uma trajetória para o período entre 2030 e 2050.

A medida tem como objetivo obrigar os 27 Estados-membros da UE a equilibrar as emissões poluentes e a remover gases de efeito estufa.

Além disso, a Comissão Europeia também lançou uma consulta pública sobre um "pacto climático" para envolver regiões, comunidades locais, sociedade civil, escolas, empresas e cidadãos no corte de emissões.

A lei climática ainda deverá ser examinada pelo Conselho e pelo Parlamento Europeu antes de se tornar juridicamente vinculativa. 

"Estamos agindo hoje para tornar a União Europeia o primeiro continente neutro em termos de clima até 2050. A Lei do Clima é a tradução legal do nosso compromisso político e traça de forma irreversível o nosso caminho para um futuro mais sustentável", acrescentou von der Leyen.

Segundo a presidente da Comissão, a medida "oferece previsibilidade e transparência para a indústria e investidores europeus, e traça uma direção para a nossa estratégia de crescimento verde, garantindo que a transição seja gradual e justa".

O plano, que ganhou o apelido de "Green Deal", em referência ao "New Deal", programa de investimentos que tirou os Estados Unidos da Grande Depressão, é avaliado em 1 trilhão de euros em investimentos. O documento foi apresentado durante reunião em Bruxelas, com a presença da ativista Greta Thunberg.

A jovem sueca, por sua vez, fez duras críticas ao projeto e acusou a UE de "fingir" querer a liderança mundial na proteção do clima.

"A União Europeia tem que parar de fingir que pode ocupar a liderança climática e ainda continuar construindo e subsidiando novas infraestruturas de combustíveis fósseis", disse a ativista, durante audiência no Parlamento Europeu.

Segundo Thunberg, a UE tem esperança de que o "Green Deal" "resolverá, de alguma forma, a maior crise já enfrentada pela humanidade".

"Quando sua casa está pegando fogo, você não espera mais alguns anos para começar apagá-lo", comparou. "Quando a UE apresenta essa lei climática e de zero emissão até 2050, você indiretamente admite que está se rendendo, que está desistindo", concluiu Thunberg. (ANSA)

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