Parlamento da UE aprova emenda contra políticas ambientais de Bolsonaro

Texto rechaça ratificação de acordo com Mercosul no estado atual

Amazon Day celebration in Brazil
Amazon Day celebration in Brazil (foto: ANSA)
12:01, 07 OutSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O Parlamento da União Europeia aprovou uma emenda em que demonstra "extrema preocupação" com as políticas ambientais do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e diz que o acordo de livre comércio com o Mercosul não pode ser ratificado nas condições atuais.

A emenda foi incluída em um relatório sobre as políticas comerciais comunitárias escrito pelo eurodeputado sueco Jorgen Warborn, de centro-direita. A alteração, no entanto, foi proposta pela delegação europeia do partido de centro A República Em Marcha, fundado pelo presidente da França, Emmanuel Macron.

O artigo 36 do texto original louvava o acordo comercial entre UE e Mercosul como "maior" desse tipo entre dois blocos, criando uma "área de livre mercado mutuamente benéfica para aproximadamente 800 milhões de cidadãos".

Além disso, ressaltava que o tratado contém um "capítulo vinculante sobre desenvolvimento sustentável que deve ser completamente implantado", incluindo o respeito às normas do Acordo de Paris sobre o clima.

A emenda dos eurodeputados franceses manteve esses trechos inalterados, mas acrescentou, no fim do artigo, uma passagem que diz que o Parlamento da UE está "extremamente preocupado com as políticas ambientais de Jair Bolsonaro, que vão contra os compromissos assumidos no Acordo de Paris, principalmente em relação ao combate contra o aquecimento global e à proteção da biodiversidade".

A emenda também "enfatiza que, nessas circunstâncias, o acordo UE-Mercosul não pode ser ratificado do jeito que está". A alteração no relatório de Warborn foi aprovada nesta terça-feira (6), com placar de 345 votos a favor e 295 contrários, mas não é vinculante.

O eurodeputado sueco foi contra a inclusão da emenda. Em seu perfil no Twitter, Warborn republicou um post de seu colega alemão Sven Simon que diz que os centristas franceses se "aliaram à extrema direita e aos comunistas para derrotar o mais ambicioso acordo de livre comércio na história da UE em termos ambientais".

"Esse protecionismo tacanho não fará bem para a Europa nem para o clima", escreveu Simon.

Oposição

Em setembro passado, o governo da França já havia declarado sua oposição ao atual acordo com o Mercosul devido a "grandes preocupações" a respeito do desmatamento.

O governo Bolsonaro é alvo de cobranças da comunidade internacional por permitir o aumento das queimadas na Amazônia e no Pantanal, que são, respectivamente, a maior floresta tropical e a maior planície inundável do planeta.

Para continuar as negociações do tratado comercial, Paris exigiu respeito às normas do Acordo de Paris e alinhamento às regras sanitárias e ambientais da União Europeia.

O pacto UE-Mercosul foi assinado em 2019, após 20 anos de negociações, mas precisa ser ratificado por todos os parlamentos nacionais envolvidos - alguns deles, como dos Países Baixos e da Áustria, já aprovaram moções pedindo a rejeição do acordo.

O presidente Macron também disse que não ratificará o tratado se o governo brasileiro não garantir a proteção da Amazônia, enquanto a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou recentemente que tem "sérias dúvidas" sobre o acordo devido à crise na floresta tropical. (ANSA) 

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