Benetton admite vínculo indireto com tragédia em Bangladesh

Fornecedora indiana da marca subcontratou fábrica em Daca

10:03, 10 MaiNOVA YORK ZAR
(ANSA) - O executivo-chefe da Benetton, Biagio Chiarolanza, admitiu os vínculos da multinacional da moda com a tragédia que ocorreu no Rana Plaza, o edifício que desmoronou em Bangladesh com milhares de trabalhadores no interior, deixando um número de mortos que as autoridades elevaram nesta quinta-feira a 912. "Sangue nas camisas", escreveu em chamada de capa de hoje o diário eletrônico Huffington Post, dos Estados Unidos.
    Chiarolanza disse ao Huffington Post que a Benetton comprou, entre dezembro de 2012 e janeiro de 2013, um lote relativamente pequeno de camisas, cerca de 200 mil, de uma empresa chamada New Wave Style, que administrava uma das fábricas dentro do Rana Plaza. "No momento do desastre, a New Wave não era uma das nossas fornecedoras, embora um dos nossos fornecedores na Öndia tenha subcontratado dois pedidos à New Wave", afirmou. As afirmações de Chiarolanza se contradizem com as declarações iniciais da Benetton, nas quais a empresa italiana negou qualquer vínculo com a tragédia.
    "Nenhuma das empresas implicadas é fornecedora do grupo Benetton ou de qualquer uma das suas marcas", disse a Benetton em comunicado logo após a tragédia em 24 de abril. A declaração feita hoje por Chiarolanza se trata de um passo atrás, após terem sido descobertas etiquetas da United Colors of Benetton entre os escombros do edifício que desabou, ao lado de etiquetas da gigante sueca H&M, da irlandesa Primark, da canadense Joe Fresh e da gigante varejista norte-americana Walmart.
    Mas a entrevista de Chiarolanza serviu também para apontar os refletores ao labirinto de contratos e subcontratos (no caso da Benetton, mais de 700 empresas em 120 países), que mantêm em pé o mercado da moda popular e das roupas vendidas em lojas de departamentos e hipermercados, o que por vezes torna impossível traçar o caminho que o vestuário segue desde a fábrica até o consumidor.
    "Não deixaremos Bangladesh, podemos ajudar o país a melhorar as suas próprias condições, mas são necessárias mais medidas de segurança trabalhista, bem como um ambiente de trabalho melhor", disse Chiarolanza ao Huffington Post.
    Enquanto isso, os trabalhadores continuam a morrer nas fábricas têxteis de Bangladesh. Nesta quinta-feira, um incêndio matou oito pessoas, entre as quais os diretores da indústria Tung Hai Sweather, em Daca. (ANSA)

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