SP recebe festival gastronômico com 20 chefes italianos

A ANSA traz uma série de entrevistas com todos os participantes

14:07, 20 OutSÃO PAULO ZBF
(ANSA) - Cidade com o maior número de descendentes italianos do Brasil, São Paulo receberá entre os dias 24 e 31 de outubro a 4ª Settimana della Cucina Regionale Italiana, evento que trará chefes de 20 regiões da Itália para comandarem os fogões dos principais restaurantes paulistas com um menu exclusivo. Originário da província de Mantova, na Lombardia, o chef Gianpietro Stancari comandará por uma semana o restaurante Zena Caffè, localizado no Jardim Paulista e onde apresentará pratos insipirados na região da Emilia Romagna, ao norte da Itália. No menu, de R$59 no almoço e R$85 no jantar, há pratos como nhoque de batata com creme de queijo grana padano fundido; massa de pão frita servida com presunto de Parma, copa e pancetta; massa folhada com creme de baunilha, e torta de chocolate com amêndoas e café. Stancari, que já trabalhou no Trattoria Ai Due Platani de Parma, tem um currículo que passa pelo Ambasciata di Quistello e pelo Hotel Four Seasons de Genebra. Em entrevista à ANSA, o chefe, que nunca esteve no Brasil, disse que espera aprender sobre gastronomia brasileira, assim como ensinar truques da italiana, como o uso de matérias-primas do norte do país. ANSA: Qual a peculiaridade da gastronomia italiana? O que a caracteriza? Stancari: A peculiaridade fundamental é a extraordinária variedade de ingredientes e receitas da gastronomia italiana. A grande diversidade geográfica do país, que vai das montanhas mais altas da Europa até vilarejos africanos, criou uma riqueza incrível de matérias-primas a serem usadas na cozinha. Além disso, a gastronomia italiana tem fortes laços culturais, sociais e até políticos que transcendem o tempo e as sociedades e contribuem para a história do país. O patrimônio gastronômico italiano é um projeto diário de pessoas que, como eu, trabalham com produtos tradicionais e pratos da história da cozinha italiana, tentando encontrar novos equilíbrios de gostos e sabores que são o fruto da tradição, mas também da busca por inovação. Uma representação do que significa a culinária italiana é o fato de que a dieta mediterrânea foi classificada como Patrimônio da Unesco. ANSA: E quais são as principais matérias-primas e ingredientes da região da Emilia Romagna? Stancari: A Emilia Romagna tem uma das gastronomias mais ricas da Itália graças ao fato de que sua posição geográfica inclui uma área agrícola e uma zona intermediária entre o norte e o sul da Itália. A cozinha local é identificada pelas suas carnes, principalmente as suínas e bovinas, e pela utilização de produtos de laticínio.
    São da Emilia Romagna o Presunto de Parma e o queijo parmesão. A produção de grãos também favoreceu uma rica fabricação de pasta fresca e de vários tipos de pães. Podemos identificar, então, pratos com presunto de parma, salame, copa, pancetta, mortadela e queijo parmesão como os "carros-chefes" da cozinha regional, principalmente como antepastos. A pasta fresca com recheios e molhos à base de carnes bovinas e queijo parmesão, verduras da estação ou ragú, que já é famoso no mundo todo, como os pratos principais, e as sobremesas com cremes, nata e leite. Mas citei apenas alguns dos elementos de base de uma gastronomia regional riquíssima. Não quero que meus colegas que trabalham em regiões da costa adriática pensem que estou violando a tradição e me esquecendo dos peixes de água doce e salgada que temos na nossa região. A Emilia Romagna merece uma longa viagem gastronômica, pois, a cada 20 quilômetros, é possível encontrar pratos, sabores, perfumes e diversas histórias do povo que vive na própria terra com amor e tradição. ANSA: Você já esteve no Brasil? O que pensa sobre a culinária brasileira? Stancari: É a primeira vez que venho ao Brasil. Antes de viajar, tentei ler algumas coisas sobre este país que é surpreendente em dimensões, por sua variedade em paisagem, mas sobretudo pela grande riqueza populacional de raças diversas. Tive a impressão que o Brasil deu a todos os seus habitantes a possibilidade de serem profundamente brasileiros, mas, ao mesmo tempo, de manterem, conservarem e compartilharem com os outros a sua própria história.
    Ainda não tenho uma opinião sobre a culinária brasileira, pois só conversei sobre a culinária da Emilia Romagna com meus colegas brasileiros. Pelo que li, existe já a base para uma cozinha de grande estímulo, ligada à riqueza e ao valor das matérias-primas e ingredientes, com a possibilidade de misturar tradições de diversos países que criam um estilo próprio de cozinha. Espero poder dar uma contribuição com o meu "saber italiano", mas também quero aprender com os chefes brasileiros. Uma bela troca de saber, sabor e emoção. Informações: www.settimanacucinaitaliana.com.br Data: de 24 a 31 de outubro

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