Condenado na Lava Jato, Alberto Youssef ganha liberdade

Doleiro foi condenado a mais de 100 anos de prisão

Condenado na Lava Jato, Alberto Youssef ganha liberdade
Condenado na Lava Jato, Alberto Youssef ganha liberdade (foto: VAGNER ROSARIO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)
15:20, 17 MarSÃO PAULO ZAR

(ANSA) - No dia em que a Operação Lava Jato completa três anos, um dos principais delatores do esquema, o doleiro Alberto Youssef, passará a cumprir pena no regime aberto diferenciado. No regime anterior, o domiciliar, ele tinha que cumprir pena em casa, com uso de tornozeleira eletrônica. A diferença para o regime atual é que, agora, Youssef pode sair de casa.
   

O doleiro foi condenado na Lava Jato a mais de 100 anos de prisão em vários processos, mas, como assinou acordo de delação, ficou apenas três anos preso. Ele foi detido na primeira fase da operação, em março de 2014. Cumpriu pena em regime fechado até novembro do ano passado e saiu da carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, em novembro do ano passado, quando passou para o regime domiciliar, com tornozeleira eletrônica.
   

Youssef foi considerado peça-chave na revelação do esquema de corrupção na Petrobras. Este não foi o primeiro envolvimento do doleiro em casos de corrupção. Alberto Youssef ficou conhecido a partir do caso Banestado, que investigou o envio ilegal de dinheiro para o exterior por meio do Banco do Estado do Paraná.
   

Ele foi preso à época, assinou o primeiro acordo de colaboração da história brasileira e tinha se comprometido a não praticar novos crimes.
   

Ação Gleisi Hoffmann

Na última quarta-feira (15), a senadora Gleisi Hoffmann arrolou como testemunhas de defesa a ex-presidente Dilma Rousseff e a ex-presidente-executiva da Petrobras Maria das Graças Foster, na ação no Supremo Tribunal Federal (STF) em que é ré na Lava Jato.
   

Cabe agora ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo, decidir se autoriza ou não que sejam colhidos os depoimentos.
   

Além de Graça Foster, que foi presidente-executiva da Petrobras entre janeiro de 2012 e fevereiro de 2015, e Dilma, de cujo governo Gleisi foi ministra-chefe da Casa Civil entre junho de 2011 e fevereiro de 2014, a defesa pediu também a inclusão do senador Roberto Requião (PMDB-PR) entre as testemunhas de defesa.
   

Apesar de ser do mesmo partido do presidente Michel Temer, Requião votou contra o impeachment de Dilma Rousseff e hoje mantém postura de oposição ao governo no Congresso.
   

Outras testemunhas arroladas pela defesa de Gleisi Hoffmann foram o coordenador e o tesoureiro de sua campanha em 2010, José Augusto Zaniratti e Ronaldo da Silva Balthazar; Beto Ferreira Martins Vasconcelos, que foi secretário-executivo da Casa Civil enquanto Gleisi era ministra; e Ivo de Motta Azevedo Corrêa, que foi assessor da Casa Civil.
   

A senadora e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, se tonaram réus no STF em setembro do ano passado. Eles foram acusados pelo Ministério Público Federal (MPF) de terem recebido R$ 1 milhão para a campanha da senadora em 2010.
   

De acordo com depoimentos de delatores na Lava Jato, o valor é oriundo de recursos desviados de contratos da Petrobras. Ambos foram citados nas delações premiadas do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.
   

Fachin nega liberdade a Zelada  

O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido de liminar (decisão provisória) feito pelo ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Jorge Luiz Zelada para que fosse libertado de imediato.
   

Zelada está preso preventivamente desde 2 julho de 2015, em Curitiba, por ordem do juiz Sérgio Moro. Ele foi diretor da Área Internacional da Petrobras entre 2008 e 2012. Em fevereiro, o ex-diretor foi condenado em primeira instância a 12 anos e dois meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusado de receber US$ 31 milhões em propina.
   

Este é mais um em uma série de pedidos de liberdade feitos por Zelada, que não firmou acordo de delação premiada com a Justiça.
   

No habeas corpus mais recente, protocolado na semana passada no STF, a defesa de Zelada faz duras críticas ao uso prolongado da prisão preventiva, que considera ilegal.
   

Na petição, os advogados de Zelada afirmam que a força-tarefa da Lava Jato apresenta tratamento favorável "somente a quem confessa, a quem delata, a quem sucumbe à tortura psicológica da iminente ou da própria 'cadeia', a quem mente à cata de prêmios prometidos, à margem da legislação".
   

Para quem "ousa exercer seu dever/direito constitucional - o sacrossanto direito de se defender - de contraditar as acusações, de refutar as aleivosias, o destino é a masmorra", acrescentou a defesa de Zelada.
   

Em um despacho curto, Fachin disse não ver "ilegalidade flagrante" que justificasse a soltura imediata do ex-diretor.Esse mesmo pedido de liberdade foi negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).
   

O habeas corpus será agora remetido para julgamento pela Segunda Turma da Corte, composta também pelos ministros Celso de Mello, Dias Tofolli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Não há prazo, mas pedidos de liberdade costumam ter prioridade.
   

No julgamento de um pedido de liberdade anterior, em fevereiro, Tofolli e Gilmar manifestaram-se favoráveis a um debate mais aprofundado sobre a legalidade das preventivas. "Temos um encontro marcado com essas alongadas prisões que se determinam em Curitiba", disse Gilmar Mendes na ocasião. Fonte: Agência Brasil (ANSA)

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