Delação da JBS derruba Aécio no Senado e no PSDB

Joesley Batista entregou aúdio de senador pedindo dinheiro

Aécio Neves e sua irmã, Andrea, que atuava como sua assessora (foto: EPA)
16:35, 18 MaiSÃO PAULO ZBF

(ANSA) - O senador mineiro Aécio Neves foi afastado nesta quinta-feira (18) de suas funções políticas no Congresso e pode ter que deixar a Presidência do PSDB devido a um escândalo envolvendo seu nome em uma das fases da Operação Lava Jato.  Em delação premiada homologada, executivos da JBS mostraram o áudio de uma conversa com Aécio no qual o senador pede R$ 2 milhões, alegando que usaria o dinheiro para sua defesa na justiça.  O áudio foi entregue pelos executivos Joesley e Wesley Batista, e a notícia foi vazada ontem (17) pelo jornal "O Globo". 

Nesta manhã, agentes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) cumpriram mandados de prisão, busca e apreensão na casa de Aécio no Rio de Janeiro, no apartamento da irmã dele, Andrea Neves, e em imóvel de Altair Alves Pinheiro, braço direito do deputado Eduardo Cunha (PMDB).

No Congresso Nacional, em Brasília, buscas também foram realizadas buscas nos gabinetes do tucano e no dos parlamentares Zeze Perrella (PMDB-MG) e Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), na operação batizada de Patmos.

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento das funções do senador Aécio Neves. Além do tucano, Loures também foi afastado, pois fora flagrado pegando uma mala de propina do delator da empresa frigorífica.

A Procuradoria-Geral da República chegou a pedir a prisão de Aécio, mas Fachin negou a detenção e exigiu apenas que o tucano não saia do Brasil e entregue seu passaporte.  Sua irmã, Andrea, e seu primo Frederico Pacheco de Medeiros, conhecido como "Fred", foram presos por participarem do esquema de pedir e receber dinheiro ilegal.

Reação no PSDB

A bancada do PSDB já articulou o nome de Carlos Sampaio para assumir interinamente o posto de Aécio Neves na presidência do partido.

Além da troca na Presidência do PSDB, o partido avalia romper com o governo de Michel Temer, já que o presidente também apareceu nos áudios da JBS dando aval para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

Carlos Henrique Focesi Sampaio é um promotor de justiça. Aos 54 anos, o político é formado em Direito e ficará na liderança do PSDB temporariamente.

 

(ANSA)

 

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