Dono da JBS gravou Temer autorizando suborno de Cunha

Revelações podem causar terremoto político em Brasília

Delações da JBS comprometem o presidente Michel Temer (foto: ANSA)
21:40, 17 MaiSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, contaram ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que gravaram o presidente Michel Temer dando aval para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha.

Os empresários fizeram uma delação premiada - ainda não homologada por Fachin - na qual comprometem não apenas o chefe de Estado, mas também o senador tucano Aécio Neves e o ex-ministro petista da Fazendo Guido Mantega.

Segundo o jornal "O Globo", Temer ouviu de Joesley que Cunha e o doleiro Lúcio Funaro estavam recebendo uma mesada na prisão para "ficarem calados". "Tem que manter isso, viu", teria sido a resposta de Temer.

No mesmo diálogo, o presidente teria indicado o deputado peemedebista Rodrigo Rocha Loures para resolver um assunto da holding J&F, controladora da JBS, no governo. Mais tarde, Loures foi filmado pela Polícia Federal recebendo de Joesley uma mala com R$ 500 mil.

As revelações podem causar um terremoto em Brasília e comprometer ainda mais um presidente que já tem baixíssimos índices de popularidade e vem enfrentando batalhas no Congresso para aprovar suas reformas.

A matéria d'O Globo diz que o diálogo ocorreu em março deste ano, no Palácio do Jaburu, em meio às fases mais agudas da Operação Lava Jato - Joesley registrou a conversa por meio de um gravador escondido. Após a detenção de Cunha, Joesley disse ter dado a ele R$ 5 milhões referentes a um "saldo de propina". O empresário ainda deveria R$ 20 milhões ao peemedebista.

Poucos minutos depois da divulgação do teor das delações, o deputado Alessandro Molon, da Rede, protocolou um pedido de impeachment de Temer, enquanto parlamentares da oposição começaram uma campanha por eleições diretas.

PSDB e PT

A delação dos irmãos Batista também inclui uma gravação que mostra Aécio, presidente do PSDB, pedindo R$ 2 milhões. De acordo com o jornal, o dinheiro foi entregue a um primo do tucano, em cena filmada pela PF, que rastreou o dinheiro até as contas de uma empresa do também senador tucano Zeze Perrella.

Já Mantega foi descrito por Joesley como seu "contato no PT" e negociador das propinas que eram pagas ao partido e seus aliados. Além disso, o delator contou que o ex-ministro da Fazenda cuidava dos interesses da JBS no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), que fez vultosos empréstimos à empresa.

As negociações para as delações da JBS começaram no fim de março, e os primeiros depoimentos ocorreram em abril, durando até a primeira semana de maio. O motivo da rapidez seria justamente o fato de Joesley ter a gravação de suas conversas com Temer e Aécio.

Já as entregas de dinheiro em questão, tanto no caso de Aécio quanto no de Loures, foram feitas com autorização da PF, que assim foi capaz de rastrear o caminho dos recursos com exatidão, em um fato inédito na Lava Jato.

Resposta

O Palácio do Planalto divulgou uma nota negando que Temer tenha agido para comprar o silêncio de Cunha. No comunicado, a Presidência garante que o peemedebista não participou nem autorizou qualquer movimento "com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar".

"O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República", diz a nota.

Por fim, o Planalto afirma que Temer defende "ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados".

Confira o comunicado na íntegra:

O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar. O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República. O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados.

(ANSA)

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