Temer nega renúncia e se apega à economia para ficar no poder

Presidente fez pronunciamento em rede nacional nesta quinta

Michel Temer disse que continuará no cargo
Michel Temer disse que continuará no cargo (foto: Ueslei Marcelino)
19:20, 18 MaiSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Em pronunciamento em rede nacional, o presidente da República, Michel Temer, negou que renunciará ao cargo e disse que nunca pediu a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha.

Discursando no Palácio do Planalto, o peemedebista admitiu a conversa com Joesley Batista, dono da JBS, mas sem citar seu nome, e disse que o empresário havia contado apenas que estava ajudando a "família de um ex-parlamentar".

"Não solicitei que isso acontecesse, só tomei conhecimento desse fato na conversa que tive com esse empresário. Em nenhum momento autorizei a pagar quem quer que seja para ficar calado. Não temo nenhuma delação, não preciso de cargo público nem de foro especial, nada tenho a esconder", declarou Temer.

O presidente ainda garantiu que esclarecerá as denúncias no Supremo Tribunal Federal (STF), que abriu um inquérito contra ele, e pediu rapidez nas investigações. "Não renunciarei, sei o que fiz e sei da correção de meus atos. Exijo uma investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Essa situação de dúvida não pode persistir por muito tempo", acrescentou.

Temer também chamou a gravação de "clandestina" e afirmou que não se pode "jogar no lixo da história tanto trabalho em prol do país". "Quero deixar muito claro dizendo que meu governo viveu nesta semana seu melhor e seu pior momento. O otimismo retornava, e as reformas avançavam no Congresso Nacional. Ontem, contudo, a revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe de volta o fantasma de uma crise política de proporção ainda não dimensionada. Portanto, todo o imenso esforço de retirar o país de sua pior recessão pode se tornar inútil", declarou.

No diálogo em questão, Temer ouve de Joesley que Cunha e o doleiro Lúcio Funaro estavam recebendo uma mesada na prisão para "ficarem calados". "Tem que manter isso, viu", foi a resposta do presidente da Republica. Na mesma conversa, ele indica o deputado peemedebista Rodrigo Rocha Loures para resolver um assunto da holding J&F, controladora da JBS, no governo.

Mais tarde, Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil de Ricardo Saud, diretor da empresa. O áudio da conversa ainda não foi liberado pelo STF. Durante todo o dia, Temer ouviu aliados favoráveis e contrários à renúncia, mas sua decisão de continuar no cargo pode provocar uma debandada na base aliada.

Confira o discurso de Temer na íntegra:

Olha, ao cumprimentá-los, eu quero fazer uma declaração à imprensa brasileira e uma declaração ao País. E, desde logo, ressalto que só falo agora - os fatos se deram ontem - porque eu tentei conhecer, primeiramente, o conteúdo de gravações que me citam. Solicitei, aliás, oficialmente, ao Supremo Tribunal Federal, acesso a esses documentos. Mas até o presente momento não o consegui.

Quero deixar muito claro, dizendo que o meu governo viveu, nesta semana, seu melhor e seu pior momento. Os indicadores de queda da inflação, os números de retorno ao crescimento da economia e os dados de geração de empregos, criaram esperança de dias melhores. O otimismo retornava e as reformas avançavam, no Congresso Nacional. Ontem, contudo, a revelação de conversa gravada clandestinamente trouxe volta o fantasma de crise política de proporção ainda não dimensionada.

Portanto, todo um imenso esforço de retirar o País de sua maior recessão pode se tornar inútil. E nós não podemos jogar no lixo da história tanto trabalho feito em prol do País. Houve, realmente, o relato de um empresário que, por ter relações com um ex-deputado, auxiliava a família do ex-parlamentar. Não solicitei que isso acontecesse. E somente tive conhecimento desse fato nessa conversa pedida pelo empresário.

Repito e ressalto: em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém. Por uma razão singelíssima: exata e precisamente porque não temo nenhuma delação, não preciso de cargo público nem de foro especial. Nada tenho a esconder, sempre honrei meu nome, na universidade, na vida pública, na vida profissional, nos meus escritos, nos meus trabalhos. E nunca autorizei, por isso mesmo, que utilizassem o meu nome indevidamente.

E por isso quero registrar enfaticamente: a investigação pedida pelo Supremo Tribunal Federal será território, onde surgirão todas as explicações. E no Supremo, demonstrarei não ter nenhum envolvimento com esses fatos.

Não renunciarei, repito, não renunciarei! Sei o que fiz e sei da correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida, para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Esta situação de dubiedade ou de dúvida não pode persistir por muito tempo. Se foram rápidas nas gravações clandestinas, não podem tardar nas investigações e na solução respeitantemente a estas investigações.

Tanto esforço e dificuldades superadas, meu único compromisso, meus senhores e minhas senhoras, é com o Brasil. E é só este compromisso que me guiará. Muito obrigado. Muito boa tarde a todos.

(ANSA)

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