Lula presta depoimento a Moro pela 2ª vez como réu

Ex-presidente é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro

Lula prestará depoimento a Moro pela 2ª vez como réu (foto: ANSA)
09:01, 14 SetSÃO PAULO ZCC

(ANSA) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi interrogado por cerca de duas horas e meia nesta quarta-feira (13) por Sérgio Moro, juiz responsável pelas ações da Operação Lava Jato. A audiência ocorreu na sede da Justiça Federal em Curitiba.

Assim que terminou de depor, o ex-mandatário seguiu para um ato na Praça Generoso Marques. 

Lula é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por fazer parte de um suposto pagamento de propina por parte da construtora Odebrecht. De acordo com a denúncia, a empresa comprou um terreno para construir uma nova sede para o Instituto Lula.

Na ocasião, a empreiteira teria comprado um apartamento próximo ao que o ex-presidente mora, em São Bernardo do Campo. O imóvel é alugado desde 2002 e abriga, principalmente os seguranças de Lula.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), os dois imóveis fazem parte de um total de R$75 milhões em propinas que foram pagas pela Odebrecht a funcionários da Petrobras e políticos, após a empreiteira firmar oito contratos com a estatal.

Na denúncia, o MPF também afirma que o terreno do Instituto Lula foi comprado pela Odebrecht, usando o nome de outra empreiteira, a DAG. Apesar das negociações terem sido feitas, nada foi construído no local.

Por sua vez, a compra do apartamento foi realizada com a ajuda do pecuarista José Carlos Bumlai. No total, oito pessoas foram denunciadas, inclusive a ex-primeira-dama Maria Letícia, que teve o nome retirado após sua morte.

A defesa do ex-presidente garante que o petista é inocente e afirma que o MPF não tem provas que sustentem a denúncia.

Esta é a segunda vez que Lula presta depoimento para Moro na condição de réu em um processo da Operação Lava Jato.Na primeira vez, o ex-mandatário foi ouvido em uma ação penal em que era acusado de ser beneficiário de um apartamento tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo, na qual foi condenado a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Lula ataca Palocci

O ex-presidente afirmou que o ex-ministro de seus governos Antonio Palocci mentiu ao falar em "pacto de sangue" com a Odebrecht.

"Eu tenho lidado com muita paciência. Eu vi o depoimento do Palocci, não respondi nada, não falei nada. Muita gente achou que ia chegar com muita raiva do Palocci. Eu acho que o Palocci tá preso há mais de um ano, tem o direito de ser livre, tem o direito de querer ficar com o pouco do dinheiro que ele ganhou fazendo palestra, ele tem família", disse ao juiz.

Segundo Lula, no entanto, "o que não pode é se você não quer assumir a tua responsabilidade pelos fatos ilícitos que você fez, não jogue em cima dos outros". Em outro momento, ele afirmou que o ex-ministro, preso após condenação de 12 anos, é "frio, calculista e simulador".

Na semana passada, Palocci falou em "pacto de sangue" entre o PT e a Odebrecht, que teria pago mais de R$ 300 milhões em propinas. 

Defesa critica perguntas de Moro e MPF

Um dos advogados da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristiano Martins, usou as redes sociais para criticar as perguntas feitas pelo juiz Sergio Moro durante o depoimento desta quarta-feira (13).

"É emblemático que nem o juiz nem o MPF fizeram perguntas sobre 8 contratos da Petrobras que embasam a denúncia objeto do depoimento de hoje. Será que é por que já existe prejulgamento ou por que o MPF não consegue vincular qualquer eventual ilícito desses 8 contratos a Lula?", questionou no Twitter.

Apesar do depoimento não ter sido ainda divulgado, diversos veículos apontam que o ex-presidente não respondeu a várias perguntas durante o depoimento.

Segundo Martins, "a maior demonstração de que Lula sente que não está sendo julgado com imparcialidade é que ele mesmo no final do dep. [depoimento] fez esta pergunta a Moro. A técnica dos procuradores e de Moro foi repetir sucessivamente perguntas a Lula e formular questões sobre assuntos estranhos ao processo", escreveu ainda. (ANSA)

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