Jair Bolsonaro é esfaqueado durante comício em MG

Estado de saúde do candidato é "estável"

Jair Bolsonaro logo após ataque com faca em Juiz de Fora (MG) (foto: EPA)
21:58, 06 SetSÃO PAULO ZCC

(ANSA) - O candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) foi esfaqueado nesta quinta-feira (6), durante um comício em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Um homem foi detido, acusado de ser o autor da agressão. A Polícia Militar de MG o identificou como Adélio Bispo de Oliveira, 40 anos, natural da cidade mineira de Montes Claros.

Em seu perfil no Facebook, o agressor postou diversas mensagens críticas ao candidato do PSL e contra a "maçonaria". Além disso, Oliveira participou de atos contra o presidente Michel Temer e pela libertação de Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a revista "piauí", que cita Luis Boudens, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), o agressor disse a policiais que estava cumprindo uma "ordem de Deus".

"Os colegas disseram que ele imediatamente começou a dizer que estava em missão divina, o que levou o pessoal a temer pela integridade psicológica dele", afirmou Boudens.

Um segundo homem suspeito de participação no ataque também foi identificado, porém não teve o nome revelado. "As investigações estão em andamento, mas já temos a identificação de um provável segundo suspeito na cena do crime", disse o superintendente da Polícia Judiciária, Carlos Capistrano, ao "Estadão Conteúdo".

Em imagens publicadas nas redes sociais, Bolsonaro foi filmado sendo carregado por outros homens. Em seguida, ele é atacado e faz uma expressão de dor. A Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora informou que a condição de saúde de Bolsonaro é "estável" e que ele precisou receber uma transfusão de sangue.

De acordo com o hospital, não foi constatada lesão no fígado. O candidato, no entanto, sofreu uma lesão na artéria mesentérica inferior, que leva sangue ao intestino, uma no intestino grosso e três no delgado. Todas já teriam sido "resolvidas".

Ainda segundo a Santa Casa, Bolsonaro não tem mais "sangramento ativo" e está "fora de risco agudo imediato".

Recuperação

O médico Luiz Henrique Borsato, responsável pela cirurgia em Jair Bolsonaro, disse que o candidato a presidente da República deve passar "no mínimo uma semana" hospitalizado.

O postulante do PSL foi operado na Santa Casa de Juiz de Fora, mas pode ser transferido para o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, a pedido da família. Uma equipe médica já partiu da capital paulista para a cidade mineira.

Segundo Borsato, Bolsonaro deu entrada na Santa Casa com uma lesão "grave" e "extensa" no intestino grosso e "contaminação por fezes na cavidade abdominal", além de uma "grave" hemorragia interna. "Era um quadro naturalmente grave, mas ele está estável no momento", disse.

A cirurgia durou cerca de duas horas, e na sequência o candidato foi levado para a unidade de terapia intensiva (UTI). Ele está recebendo antibióticos para combater eventuais infecções. "No momento, não tem condições de ser transportado", acrescentou o cirurgião.

Borsato explicou que o período mínimo de hospitalização é de "uma semana ou 10 dias" e que ainda é incerto quanto tempo ele levará para se recuperar. "Pode levar dias, pode levar semanas, vai depender de como ele evoluir. Mas a recuperação nessas primeiras horas tem sido muito satisfatória", afirmou.

Bolsonaro teve de passar por uma colostomia, ou seja, a exteriorização de uma parte do intestino grosso para a eliminação de fezes, por meio de uma bolsa plástica. Segundo o médico, geralmente são necessários dois meses antes de reverter a colostomia.

Temer

O presidente Michel Temer definiu a agressão como "intolerável" e pediu conscientização para a população combater a intolerância. "Isto revela algo que nós devemos nos conscientizar porque é intolerável exatamente a intolerância que tem havido na sociedade brasileira", disse.

Segundo o mandatário, "é intolerável que as pessoas falseiem dados durante campanha eleitoral. É intolerável que, nós vivemos num estado democrático de direito que não haja possibilidade de uma campanha tranquila. De uma campanha em que as pessoas vão e apresentem os seus projetos, porque ninguém vota em candidato. 

"Esse é o grande equívoco, votar em candidato é coisa de cultura atrasada, você tem que votar em projetos. E para votar em projetos, o candidato precisa circular pelo país", acrescentou.

"Relato este fato apenas para não deixar passar em branco este episódio triste, convenhamos, lamentável para a nossa democracia, mas que ele sirva de exemplo, e se Deus quiser o candidato Bolsonaro passará bem, temos certeza que não haverá nada mais grave, esperamos que não haja nada mais grave", finalizou Temer.

Reações dos adversários

Os adversários de Bolsonaro na corrida pelo Palácio do Planalto foram unânimes em condenar o ataque contra ele.

Marina Silva (Rede) afirmou que a violência contra o deputado "é inadmissível e configura um duplo atentado: contra sua integridade física e contra a democracia". "Neste momento difícil que atravessa o nosso país, é preciso zelar com rigor pela defesa da vida humana e pela defesa da vida democrática e institucional. Este atentado deve ser investigado e punido com todo rigor", escreveu no Twitter.

Ciro Gomes (PDT), por sua vez, disse que repudia "a violência como linguagem política" e "exige que as autoridades identifiquem e punam o ou os responsáveis por esta barbárie",

O candidato a vice do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, classificou a agressão como "lamentável". "Nós, democratas, precisamos garantir um processo pacífico. Que horror isso", declarou.

Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu que a "política se faz com diálogo e convencimento, jamais com ódio". "Qualquer ato de violência é deplorável. Esperamos que a investigação sobre o ataque ao deputado Jair Bolsonaro seja rápida, e a punição, exemplar", reforçou.

Já Alvaro Dias (Podemos) afirmou que repudia "qualquer ato de violência". "Por isso a violência nunca deve ser estimulada", declarou.

O presidenciável João Amoêdo, do Novo, disse que é "lamentável" e "inaceitável" o ataque contra Bolsonaro. "Independentemente de divergências políticas, não é possível aceitar nenhum ato de violência. Que o agressor sofra as devidas punições. Meus votos de melhoras para o candidato", escreveu o postulante no Twitter.

O candidato do Psol à presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que "a violência não se justifica" e "não pode tomar o lugar do debate político". "Repudiamos toda e qualquer ação de ódio e cobramos investigação sobre o fato", disse. (ANSA)

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