Bolsonaro e Haddad disputarão 2º turno em 28 de outubro

Jair Bolsonaro em colégio eleitoral no Rio (foto: EPA)
07:52, 08 OutSÃO PAULO zcc

(ANSA) - Com 99,99% das urnas apuradas, a disputa pela Presidência da República terá um segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

O deputado federal lidera a disputa com 46,10% dos votos válidos, contra 29,18% do candidato petista, que se manteve à frente de Ciro Gomes (PDT), com 12,48%.

Em seguida aparecem Geraldo Alckmin (PSDB), com 4,77%; João Amoêdo (Novo), com 2,51%; Cabo Daciolo (Patriota), com 1,26%; Henrique Meirelles (MDB), com 1,20%; Marina Silva (Rede), com 1%; Alvaro Dias (Podemos), com 0,80%. Guilherme Boulos (Psol) tem 0,58%; Vera Lúcia (PSTU), 0,05%; Eymael (DC), 0,04%; e João Goulart Filho (PPL), 0,03%.

O resultado salienta a polarização entre forças anti-PT e anti-Bolsonaro, que deram o tom de toda a campanha eleitoral.

No segundo turno, os dois candidatos precisarão lidar com elevados índices de rejeição e uma sociedade dividida entre o ódio ao Partido dos Trabalhadores e o medo do deputado federal.

De acordo com as últimas pesquisas, Bolsonaro lidera no segundo turno, mas sempre dentro da margem de erro.

Bolsonaro

O candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, questionou o resultado do primeiro turno e afirmou que sua campanha recebeu "muitas críticas" sobre urnas com problemas.

O deputado federal citou até uma denúncia feita por seus apoiadores e já desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Recebemos muitas críticas de urnas que tiveram problemas, e não foram poucas. Se apertava o 1 e no final já aparecia o candidato da esquerda", declarou Bolsonaro.

Segundo o TSE, a imagem da denúncia citada por Bolsonaro foi "manipulada". O tribunal postou até um vídeo explicando como foi feito o truque.

"Devemos continuar mobilizados. Não podemos simplesmente nos recolher. Vamos juntos ao TSE exigir soluções para isso que aconteceu. Tenho certeza que, se esse problema não tivesse ocorrido e tivéssemos confiança no processo eletrônico, já teríamos o nome do futuro presidente da República decidido no dia de hoje", declarou.

Em seu pronunciamento, feito em sua casa e divulgado nas redes sociais, Bolsonaro faz acenos ao Nordeste, às mulheres, aos ateus e aos homossexuais, dizendo que o PT tentou "dividir o país", jogando uns contra os outros.

"O que eu quero para o Nordeste é que a região, através de seu povo humilde, trabalhador e conservador, fique livre da mentira, da coação que sempre existiu por parte do PT", acrescentou.

Segundo Bolsonaro, existem apenas dois caminhos: "o da prosperidade, da liberdade, da família, de estar ao lado de Deus, e, por outro lado, sobra-nos o caminho da Venezuela. Não queremos esse caminho para o Brasil".

"Vamos unir nosso povo, unidos seremos uma grande nação. Ninguém tem o potencial que nós temos", afirmou o candidato.

Haddad

Fernando Haddad discursou em São Paulo e propôs "unir os democratas do Brasil" para derrotar Jair Bolsonaro no segundo turno.

"Quero dizer a vocês que me sinto desafiado pelos resultados, que são bastante expressivos, no sentido de nos fazer atentar para os riscos que a democracia corre no Brasil. É uma oportunidade inestimável que o povo nos deu e que precisamos aproveitar com responsabilidade e sobriedade", declarou, já indicando passos em direção ao centro.

"Queremos unir os democratas do Brasil, os que têm atenção com os mais pobres nesse país tão desigual. Colocamos a soberania nacional e a soberania popular acima de qualquer outro interesse", acrescentou Haddad, que disse já ter conversado com Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Guilherme Boulos (Psol).

"Essa eleição de 2018 coloca muita coisa em jogo, muita coisa em risco. Vamos para o campo democrático com uma única arma: o argumento. Não portamos armas, vamos com a força do argumento para defender o Brasil e seu povo", acrescentou o petista.

"Termino celebrando a democracia, a liberdade. São valores que eu cultivo desde sempre. Sempre estive do lado da liberdade e da democracia e não vou abrir mãos de meus valores", concluiu. 

Terceiro colocado nas eleições presidenciais, Ciro sinalizou apoio a Haddad no segundo turno, apesar de ainda não ter confirmado oficialmente.

Segundo o ex-ministro, ele primeiro comemorará as vitórias de Camilo Santana na disputa pelo governo do Ceará e de seu irmão, Cid Gomes, eleito senador, e se encontrará com o presidente do partido, Carlos Lupi, para formalizar o apoio.

"Vamos 'tomar uma' para espraiar o sangue. Mas uma coisa posso adiantar: minha história de vida é de defesa da democracia e de luta contra o fascismo", declarou Ciro. "Estou cheio de gratidão pelos milhões de brasileiros que aceitaram minha mensagem", disse.

Derrotados

O resultado também marca o derretimento de figuras tradicionais e até então populares da política brasileira, a começar por Marina Silva.

Dona de mais de 22 milhões de votos nas eleições de 2014, a ex-ministra do Meio Ambiente surgia na pré-campanha como principal candidata a desafiar Bolsonaro em um cenário sem Lula, mas não conseguiu cativar o eleitorado com sua proposta de terceira via.

Após a confirmação de Haddad na disputa, o que se viu foi uma ininterrupta desidratação de Marina, que perde, por enquanto, para candidatos como Daciolo e Amoêdo e corre o risco de ficar sem relevância no cenário nacional.

Alckmin também sai menor do que entrou em sua segunda corrida presidencial. O preferido do "centrão" passa por pouco dos 5% dos votos, apesar de ter dominado metade do tempo destinado aos candidatos na propaganda eleitoral em rádio e TV.

Parte de seus aliados abandonou a campanha antes mesmo do fim, aderindo ao ascendente Bolsonaro. O posicionamento do PSDB no segundo turno permanece uma incógnita, e analistas cogitam até um "racha" entre caciques do partido, como Fernando Henrique Cardoso e Tasso Jereissati, e as alas mais jovens.

Amoêdo, por sua vez, colocou o partido Novo, surgido na esteira dos protestos pelo impeachment de Dilma Rousseff, à frente de nomes mais tradicionais, como Marina, ou com campanhas mais caras, como a de Henrique Meirelles.

A legenda ainda pode ter uma oportunidade de mostrar rapidamente como seria no poder, caso vença o segundo turno em Minas Gerais com Romeu Zema.

Declarações

Grande derrotada das eleições de 2018, Marina Silva relacionou seu fracasso nas urnas a uma "realidade marcada cada vez mais pela velha polarização". "As candidaturas que não estavam nesses polos tóxicos acabaram sofrendo um esvaziamento pelo voto útil", justificou a candidata da Rede.

Questionada por jornalistas, ela não quis confirmar quem apoiará no segundo turno, apenas disse que "a democracia é o melhor caminho". "Vamos discutir isso partidariamente. Uma coisa já sabemos: independentemente de quem seja o vencedor, estaremos na oposição", declarou.

Geraldo Alckmin, por sua vez, disse que a executiva do PSDB se reunirá na próxima terça-feira (9) para decidir sobre seu posicionamento no segundo turno. "Mas quero reafirmar nossa convicção na essência do regime democrático. Não tem poder que não seja legitimado pelo voto, pela expressão popular", afirmou. (ANSA)

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