Moro toma posse como ministro e cita Borsellino e Falcone

Juízes antimáfia foram assassinados pela Cosa Nostra em 1992

Sérgio Moro foi indicado como ministro da Justiça por Jair Bolsonaro
Sérgio Moro foi indicado como ministro da Justiça por Jair Bolsonaro (foto: ANSA)
13:25, 05 JanSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O ex-juiz Sérgio Moro tomou posse nesta quarta-feira (2) como novo ministro da Justiça e da Segurança Pública no governo do presidente Jair Bolsonaro.

O termo de posse fora assinado na última terça (1º), mas a transmissão do cargo ocorreu apenas nesta quarta, inaugurando oficialmente a trajetória política de Moro. Em seu discurso, o novo ministro citou dois de seus principais exemplos, os juízes italianos Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, assassinados pela máfia em 1992.

Moro disse que um de seus desafios será combater o crime organizado, que está "cada vez mais poderoso" e precisa ser enfrentado com "leis mais eficazes, inteligência e operações coordenadas entre as diversas agências policiais".

"O remédio é universal, embora nem sempre de fácil implementação: prisão dos membros, isolamento carcerário das lideranças, identificação da estrutura e confisco de seus bens. [...] Na Itália, a aura de invencibilidade da Cosa Nostra siciliana foi quebrada graças aos esforços conjuntos da polícia, do Ministério Público e de magistrados, entre eles os juízes heróis Giovanni Falcone e Paolo Borsellino", declarou.

Além disso, Moro defendeu que não há "portos seguros para criminosos" no Brasil e que Bolsonaro estabeleceu como meta o "fim da grande corrupção, com respeito ao Estado de Direito". O ex-juiz interrompeu 22 anos de magistratura para assumir o Ministério da Justiça, em uma nomeação criticada pelo petismo.

Moro impôs ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a sentença em primeira instância no "caso triplex" e, durante a campanha eleitoral, levantou o sigilo da delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci.

"Os desafios são grandes, mas eu e minha equipe - e talvez possa dizer que nós, todos os brasileiros - temos uma esperança infinita de que eles podem ser resolvidos com vontade, dedicação e respeito a todos. Mãos à obra", concluiu Moro em seu discurso de posse. (ANSA)

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