Sínodo da Amazônia gera preocupação no governo

Encontro convocado pelo papa Francisco debaterá temas ambientais

Bolsonaro com o general Augusto Heleno, chefe do GSI
Bolsonaro com o general Augusto Heleno, chefe do GSI (foto: EPA)
14:42, 10 FevSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O governo de Jair Bolsonaro estaria preocupado com um suposto avanço da Igreja Católica na liderança da oposição e com os encontros de cardeais brasileiros com o papa Francisco para discutir o Sínodo da Amazônia, que acontecerá em outubro de 2019, em Roma.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo, que diz inclusive que o Palácio do Planalto mobilizou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para acompanhar reuniões preparatórias para a assembleia episcopal em paróquias e dioceses.

O Sínodo foi convocado pelo próprio Papa e terá como objetivo debater "novas formas de evangelizar" a floresta, mas também deve abordar temas caros a Francisco e vistos com desconfiança pelo governo, como as mudanças climáticas, a preservação ambiental e a proteção de povos indígenas.

No documento preparatório para o Sínodo, divulgado em junho passado, o Vaticano diz que a relação "harmoniosa" na natureza foi "despedaçada pelos efeitos nocivos do neoextrativismo e da pressão dos grandes interesses econômicos que exploram o petróleo, o gás, a madeira e o ouro".

Além disso, cita problemas que se encaixam na descrição do Brasil, dono da maior parcela da Amazônia, como "megaprojetos hidrelétricos e redes rodoviárias, superestradas interoceânicas e monoculturas industriais".

"Estamos preocupados e queremos neutralizar isso aí", disse o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, segundo o Estadão. De acordo com o diário, o general comanda a "contraofensiva" às ações da Igreja.

O jornal afirma que militares do GSI suspeitam que o chamado "clero progressista" pretende aproveitar o Sínodo para criticar o governo Bolsonaro. "Achamos que isso é interferência em assunto interno do Brasil", disse Heleno, ainda de acordo com o Estadão.

Outro militar do governo citado pelo jornal alega que a assembleia episcopal contraria a política do Planalto para a Amazônia e servirá de combustível para o "discurso ideológico da esquerda".

"O trabalho do governo de neutralizar impactos do encontro vai apenas fortalecer a soberania brasileira e impedir que interesses estranhos acabem prevalecendo na Amazônia. A questão vai ser objeto de estudo cuidadoso pelo GSI. Vamos entrar a fundo nisso", afirmou Heleno ao Estadão. (ANSA)

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