Na Câmara, Weintraub diz que prioridade é educação básica

Ministro compareu à Câmara enquanto havia protestos pelo Brasil

18:21, 15 MaiSÃO PAULO ZBF
(ANSA) - O ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse hoje (15), em comissão geral no plenário da Câmara dos Deputados, que alfabetização é prioridade da pasta e tem sido tratada pelo governo federal "como um instrumento de superação das desigualdades sociais do país".
    "Se a gente não alfabetizar bem a população, a gente vai continuar, principalmente no ensino técnico e no ensino médio, tendo uma sociedade com grandes discrepâncias de renda. Temos que elevar a qualidade do ensino e da aprendizagem, promover a cidadania na alfabetização", disse.
    Inicialmente, o ministro seria ouvido na manhã desta quarta-feira, na Comissão de Educação da Câmara. No entanto, por 307 votos a 82, parlamentares convocaram Weintraub a comparecer à comissão geral, que acontece neste momento no plenário da Casa para justificar o contingenciamento no orçamento de universidades e institutos federais.
    Comissão geral - Ao abrir os trabalhos da comissão geral, o presidente da Comissão de Educação da Câmara, deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB), afirmou que a sessão ocorre em um contexto "de guerra ideológica e de polarização que busca um revanchismo ideológico".
    "Nesse propósito específico que joga uma fumaça nos nossos problemas reais, a Comissão de Educação não vai deixar de cumprir o seu papel de fazer resistência, de proteger o orçamento da educação e de esperar que o rumo dado sejam soluções técnicas", afirmou o deputado. "As questões são sólidas e técnicas. Os diagnósticos são escancarados e precisam de solução. Queremos com o espírito de colaboração fazer mudanças.
    Queremos ajudar a construir essas soluções, mas para isso não podemos sacrificar o orçamento do MEC e não podemos fugir do debate evidente", completou.
    Cenário da educação - Em seguida, foram concedidos 30 minutos para a fala inicial do ministro Weintraub. Ele apresentou uma espécie de raio x da educação brasileira e, para contextualizar o cenário da pasta, apresentou números e dados sobre a educação brasileira. Segundo o ministro, a educação básica, incluindo creche, pré-escola e os primeiros anos de alfabetização, está defasada. "Cinquenta por cento das nossas crianças passam pelo ensino fundamental sem aprender a ler, escrever e fazer conta." Em seguida, ele defendeu a valorização do ensino técnico e afirmou que o Brasil vai na contramão de outros países. "O que o resto do mundo acha do ensino técnico? É prioridade. Você sai do ensino médio com uma profissão, sabendo fazer uma coisa que a sociedade valoriza. No Brasil, 8% das vagas são de ensino técnico".
    Segundo o ministro, o governo de Jair Bolsonaro vai priorizar essa modalidade de ensino, seguindo exemplos da Europa, do Chile e dos Estados Unidos. "O ensino técnico é prioridade, porque a melhor coisa que tem é você estar preparado para a vida, a escola te preparar para a vida".
    Ainda em sua fala inicial, Weintraub afirmou que o ensino superior é o setor da educação onde o Brasil está melhor, mas ressalta que isso se dá pelo crescimento das universidades privadas. Em seguida, afirmou que as providências do governo são tomadas para priorizar o ensino básico e técnico. "Estamos querendo cumprir o plano de governo, a prioridade é o ensino básico, o ensino técnico".
    Ele também defendeu mais investimentos em pesquisas nas áreas de ciências da saúde, ciências exatas, biologias, engenharia e agricultura, em comparação com pesquisas em ciências sociais e linguística. Segundo ele, as primeiras áreas geram pesquisas com mais impacto na comunidade científica, mas têm menos investimento.
    Comparações - Weintraub disse ainda não ser responsável pelo atual contingenciamento (bloqueio) de verbas no setor.
    "Não somos responsáveis pelo contingenciamento atual", afirmou, atribuindo a culpa ao governo da petista Dilma Rousseff, que tinha Michel Temer como vice. "Este governo, que tem quatro meses, não é responsável pela situação", afirmou. Segundo o ministro, a educação apresentou uma "involução" nos últimos anos, declaração que provocou aplausos de deputados aliados do governo e vaias de oposicionistas.
    "O orçamento atual foi feito pelo governo eleito Dilma Rousseff e Michel Temer, que era vice. Nós não votamos neles. Não somos responsáveis pelo desastre da educação brasileira. O sonho das pessoas é colocar os fihos na educação privada, não na pública", declarou.
    Com informações da Agência Brasil (ANSA)

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