Eduardo Bolsonaro ameaça com ditadura e cita 'novo AI-5'

O deputado foi desautorizado por seu pai: 'Está sonhando'

Eduardo Bolsonaro voltou a apelar para discurso autoritário ao falar sobre AI-5
Eduardo Bolsonaro voltou a apelar para discurso autoritário ao falar sobre AI-5 (foto: EPA)
18:27, 31 OutSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, ameaçou com a volta da ditadura para reprimir eventuais manifestações de esquerda no Brasil.

A declaração foi dada em uma entrevista à jornalista Leda Nagle, durante uma resposta sobre os protestos em diversos países da América Latina, como Bolívia, Chile e Equador.

"Vai chegar um momento em que a situação vai ser igual ao final dos anos 1960 no Brasil, quando sequestravam aeronaves, quando sequestravam grandes autoridades, cônsules, embaixadores, execução de policiais, militares", disse Eduardo.

"Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta, e uma resposta pode ser via um novo AI-5, via uma legislação através de plebiscito, como ocorreu na Itália.

Alguma resposta vai ter que ser dada, porque é uma guerra assimétrica. [...] É um inimigo interno, de difícil identificação aqui dentro do país. Espero que não chegue a esse ponto, mas a gente tem que estar atento", acrescentou o deputado.

O "Ato Institucional Número 5" foi um decreto publicado em 13 de dezembro de 1968, no governo Costa e Silva, e endureceu a repressão na ditadura militar. O AI-5 deu poderes para o presidente fechar o Congresso, cassar direitos políticos de adversários e punir críticos de forma arbitrária.

Após a entrevista, Eduardo ainda postou no Twitter um vídeo em defesa do AI-5.

Reações

Questionado por jornalistas, o presidente Bolsonaro disse que não estava sabendo da declaração de Eduardo. "Cobre dele. Quem quer que seja que fale de AI-5 está sonhando. Está sonhando! Não quero nem que dê notícia nesse sentido aí", ressaltou.

Já o presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre, divulgou uma nota chamando a declaração do deputado de "lamentável". "É um absurdo ver um agente político, fruto do sistema democrático, fazer qualquer tipo de incitação antidemocrática. É inadmissível essa afronta à Constituição", disse.

Rodrigo Maia, mandatário da Câmara, afirmou que a fala de Eduardo é "repugnante" e precisa ser "repelida com toda a indignação possível pelas instituições brasileiras". "A apologia reiterada a instrumentos da ditadura é passível de punição pelas ferramentas que detêm as instituições democráticas brasileiras. Ninguém está imune a isso. O Brasil jamais regressará aos anos de chumbo", acrescentou, também por meio de nota.

Apesar das reações negativas, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, disse ao Estadão que, "se houver alguma coisa no padrão do Chile, é lógico que tem de fazer alguma coisa para conter". "Mas até chegar a esse ponto tem um caminho longo", afirmou. (ANSA)

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