Eduardo Bolsonaro se desculpa por cogitar 'novo AI-5'

Deputado disse que não precisa "descambar para o autoritarismo"

Eduardo Bolsonaro voltou a defender medidas autoritárias, mas depois se desculpou
Eduardo Bolsonaro voltou a defender medidas autoritárias, mas depois se desculpou (foto: EPA)
20:58, 31 OutSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O deputado federal Eduardo Bolsonaro se desculpou por ter cogitado a volta do AI-5, principal instrumento da repressão da ditadura militar, caso houvesse uma "radicalização" da esquerda.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o filho do presidente Jair Bolsonaro afirma que o Brasil vive em um "regime democrático" e que não existe "qualquer possibilidade de retorno" do Ato Institucional Número 5.

"Não fico nem um pouco constrangido de pedir desculpa a qualquer tipo de pessoa que tenha se sentido ofendida ou imaginado o retorno do AI-5. Esse não é o ponto que vivemos hoje, no contexto atual do Brasil", diz o deputado.

Eduardo ainda acrescenta que não tem motivos para "descambar para o autoritarismo" e que ele tem a "democracia" a seu favor. "Agora, é óbvio que a oposição vai tentar pegar esteira na minha fala para me pintar com um ditador. Mas eu digo aqui: pode até ter sido uma resposta infeliz. Se pudesse refazê-la, faria sem citar o AI-5 para não dar essa polêmica toda", afirma.

Em seguida, no entanto, o filho do presidente diz que tem imunidade parlamentar "para falar". "Aproveito aqui para reafirmar os valores democráticos e constitucionais", conclui.

Sua defesa do AI-5 ocorreu em entrevista à jornalista Leda Nagle, ao responder a uma pergunta sobre os protestos em diversos países da América Latina, como Bolívia, Chile e Equador.

"Vai chegar um momento em que a situação vai ser igual ao final dos anos 1960 no Brasil, quando sequestravam aeronaves, quando sequestravam grandes autoridades, cônsules, embaixadores, execução de policiais, militares. Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta, e uma resposta pode ser via um novo AI-5, via uma legislação através de plebiscito, como ocorreu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada, porque é uma guerra assimétrica", disse o deputado.

O Ato Institucional Número 5 foi um decreto publicado em 13 de dezembro de 1968, no governo Costa e Silva, e endureceu a repressão na ditadura militar. O AI-5 deu poderes para o presidente fechar o Congresso, cassar direitos políticos de adversários e punir críticos de forma arbitrária.

Após a entrevista, Eduardo ainda postou no Twitter um vídeo em defesa do AI-5. Suas declarações geraram condenações quase unânimes em Brasília, inclusive dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia, que usaram adjetivos como "lamentável" e "repugnante".

Já Bolsonaro desautorizou o filho e disse que "quem fala em AI-5 está sonhando". (ANSA)

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