Bolsonaro cita risco para 'normalidade democrática'

Presidente voltou a criticar medidas de isolamento

Bolsonaro concede coletiva de imprensa sobre coronavírus
Bolsonaro concede coletiva de imprensa sobre coronavírus (foto: ANSA)
09:18, 25 MarSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (25) que o Brasil arrisca "sair da normalidade democrática" por causa de um eventual "caos" provocado pela paralisação da economia em função da pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2).

Após ter feito um pronunciamento que vai na contramão do que é defendido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por governos mundo afora, o presidente da República voltou a defender que o comércio seja reaberto para evitar uma crise financeira.

"Se a economia colapsar, não vai ter dinheiro para pagar servidor público, o caos está aí, na nossa cara. Podemos ter os mais variados problemas no Brasil, como saques em supermercados, e o vírus vai continuar entre nós, vamos ficar com o caos e o vírus", disse Bolsonaro em conversa com jornalistas em Brasília.

Estima-se que mais de 2,5 bilhões de pessoas, um terço da população mundial, estejam submetidas a restrições de circulação por causa da pandemia de coronavírus. Desde governos autoritários, como a China, até democracias estabelecidas, como Itália, Espanha, Reino Unido, Alemanha e Argentina, adotaram o confinamento como principal estratégia de combate.

Para Bolsonaro, no entanto, é preciso "botar esse povo para trabalhar, preservar os idosos e aqueles com problemas de saúde, mas nada além disso". "Caso contrario, o que aconteceu no Chile vai ser fichinha perto do que pode acontecer no Brasil. Todos nós pagaremos um preço que levará anos para ser pago, se é que o Brasil não possa ainda sair da normalidade democrática que vocês tanto defendem, ninguém sabe o que pode acontecer no Brasil", declarou.

Em seguida, ao ser questionado pela imprensa, foi mais específico: "O caos faz com que a esquerda aproveite o momento para chegar ao poder. Não é da minha parte, pode ficar tranquilo". Segundo Bolsonaro, a diretriz do governo é a de promover o "isolamento vertical", ou seja, apenas dos grupos de risco, como idosos ou imunossuprimidos.

No entanto já há inúmeros relatos de como a Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, pode acometer pacientes mais jovens de forma grave. O primeiro homem vítima de transmissão interna na Itália, um maratonista de 38 anos, ficou um mês internado, incluindo 18 dias na UTI, para conseguir se curar.

Até o momento, a pandemia já contaminou mais de 430 mil pessoas no mundo, sendo 80 mil apenas nos últimos dois dias, de acordo com a Universidade John Hopkins, dos EUA, e deixou cerca de 20 mil mortos. (ANSA)

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