Ondas gravitacionais revelam buracos negros jamais vistos

Astros intermediários são os primeiros registrados na história

Cientistas fizeram descoberta inédita por conta dos efeitos das ondas gravitacionais durante fusão de dois buracos negros
Cientistas fizeram descoberta inédita por conta dos efeitos das ondas gravitacionais durante fusão de dois buracos negros (foto: LIGO/N. Fischer/H. Pfeiffer/A. Buonanno/SXS Collaboration)
10:48, 03 SetROMA ZGT

(ANSA) - Pela primeira vez, os pesquisadores descobriram buracos negros de "massa intermediária", identificados graças às vibrações e sinais liberados pelas ondas gravitacionais. A descoberta foi publicada nesta quarta-feira (02) nas revistas "Physical Review Letters" e "Astrophysical Journal Letters".

As imagens foram captadas pelos detectores Advanced Virgo, do Observatório Gravitacional Europeu (EGO), do qual a Itália participa com o Instituto Nacional de Física Nuclear (INFN). Um desses equipamentos fica localizado próximo à cidade italiana de Pisa. Também participaram da descoberta os outros dois interferômetros do programa, chamados de Advanced Ligo, que estão na Louisiana e em Washington, nos Estados Unidos.

O buraco negro tem uma massa equivalente a 142 vezes àquela do Sol e nasceu da fusão de dois buracos negros que tinham massa equivalentes a 66 e 85, respectivamente, à massa solar. Os físicos identificaram a fusão dos dois objetos cósmicos revelado pelas ondas gravitacionais, nas ondulações do tecido espaço-tempo, produzidas nos momentos finais da fusão.

O sinal, chamado de GW190521, foi revelado pelos três interferômetros da rede global em 21 de maio de 2019.

"As observações do Virgo e do Ligo estão colocando luz sobre o universo escuro e estão definindo uma nova paisagem cósmica e, mais uma vez, anunciamos uma descoberta sem precedentes", ressalta Giovanni Losurdo, responsável pela colaboração internacional Virgo.

Recentemente, os cientistas dos dois projetos anunciaram uma outra descoberta. Um "objeto misterioso", que parece ser uma "estrela de nêutrons preta", foi localizada no Espaço.

Conforme explica a responsável nacional da Virgo e representante da Universidade de Roma Tor Vergata, Viviana Fafone, "o sinal observado é muito complexo e foi observado em um período curtíssimo de tempo: cerca de 0,1 segundos".

Todavia, acrescenta, que o "breve pio da onda, atentamente analisado, revelou uma grande quantidade de informações sobre diversas fases dessa fusão, como as massas recordes dos buracos negros envolvidos".

Conforme os dois especialistas italianos revelaram, o que surpreendeu foi o fato da massa desse buraco negro não ser o que é tradicionalmente considerada uma massa intermediária, que tem entre centenas de milhares de vezes o tamanho do Sol. Mas sim, que eles são mais uma parte do "quebra-cabeças" para os pesquisadores entenderem como se formam essas estruturas no Espaço. (ANSA).

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