Arrecadação tem queda de 4,42%, diz Receita Federal

Divulgação de dados foi adiada por causa de eleições

12:32, 29 OutSÃO PAULO ZGT

(ANSA) - A arrecadação federal bateu recorde e fechou setembro em R$ 90.722 bilhões, uma alta real (com correção da inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 0,92% em relação a setembro do ano passado. Porém, na comparação com agosto de 2014, houve queda de 4,42%. Os dados, que foram divulgados nesta quarta-feira (29), deveriam ter sido anunciados na semana passada. Mas, com as corrida eleitoral, a Receita decidiu adiar o anúncio.

 

A arrecadação das chamadas receitas administradas pela Receita Federal somou R$ 88,7 bilhões em setembro, o que representa uma alta real de 1,01% ante o mesmo mês de 2013. As demais receitas (taxas e contribuições recolhidas por outros órgãos) foram de R$ 2,023 bilhões, uma queda de 2,65% ante o mesmo período do ano anterior.

 

No acumulado de janeiro a setembro de 2014, o pagamento de tributos bateu recorde para o período e somou R$ 862,510 bilhões com alta real de 0,67% em relação ao mesmo período de 2013.

 

Já com o Refis, o valor somou R$ 1,637 bilhão em setembro, segundo a Receita Federal. O valor é menor do que o estimado pela própria Receita. Em setembro, o secretário adjunto, Luiz Fernando Nunes, disse que o Fisco estimava uma arrecadação mensal de R$ 2,2 bilhões até dezembro, de forma a alcançar no ano R$ 16 bilhões com o parcelamento.

 

No acumulado do ano, as receitas extraordinárias com o parcelamento somam apenas R$ 8,767 bilhões. Ainda assim, a arrecadação com o Refis ajudou o dado a bater recorde. Sem os recursos do Refis, o número teria tido uma queda de 0,33% no ano, em relação aos nove primeiros meses de 2013. Com as receitas extras, apresentou uma alta real de 0,67%.

 

Já as receitas previdenciárias são as que mais contribuíram para o crescimento da arrecadação de janeiro a setembro. Segundo os dados da Receita Federal, elas subiram 1,88%, o equivalente a R$ 4,746 bilhões. O IPI teve alta de 3,48%, de R$ 878 milhões. O Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) cresceu 1,69%, um incremento de apenas R$ 378 milhões em relação aos nove primeiros meses de 2013. Mesmo com o reforço do Refis, os demais impostos ligados à atividade econômica estão em queda. O IRPJ e a CSLL registram um recuo de 1,52%, o que equivale a uma queda de R$ 2,266 bilhões. O PIS/Cofins caiu 3,63%, o equivalente a R$ 6,958 bilhões. O imposto de Importação e o IPI vinculado à importação também têm queda de 4,65% e o IOF recuou 6,22% de janeiro a setembro desse ano.

 

Em relação ao IOF, o dado teve queda de 5,07% e somou R$ 2,51 bilhões, resultado que se deve, de acordo com o governo, à alta de IOF relativa a aquisição de títulos ou valores mobiliários, além do aumento na alíquota do IOF para saques no exterior com cartão de crédito e débito.

 

O recolhimento de Cofins somou R$ 16,339 bilhões e caiu 3,3% no período, enquanto PIS/Pasep caiu 3,77% e ficou em R$ 4,256 bilhões. Para a Receita, o resultado se deve à queda no volume de vendas em agosto de 2014 em relação ao mesmo mês do ano anterior, além da alteração da base de cálculo do PIS/Cofins para importação.

 

A arrecadação com Imposto de Importação caiu 6,12% no período e somou R$ 3,212 bilhões. Na mesma base de comparação, o recolhimento de IPI-Vinculado caiu 2,97% e somou R$ 1,329. Esse resultado se deve, segundo a Receita, à redução no valor em dólar das importações, além da elevação da taxa média de câmbio.

 

O recolhimento de IPI-Automóveis subiu 2,12% e somou R$ 337 milhões, devido à recomposição parcial da alíquota do tributo.

 

Em 2014, arrecadação crescerá abaixo de 1%, diz RF

 

Diante da frustração de receitas com o Refis e do comportamento ruim dos principais tributos, o secretário adjunto da Receita Federal, Luiz Fernando Nunes, disse que, se mantidas as condições atuais, o crescimento da arrecadação esse ano será menor do que 1%. Essa era a última projeção oficial da Receita.

 

"Tendo em vista a arrecadação de setembro e considerando as variáveis econômicas do último relatório (de avaliação de receita e despesa), ela certamente será menor que 1%", afirmou.

 

O secretário disse que a Receita irá aguardar o novo relatório, que será divulgado no final de novembro, para refazer as estimativas do Fisco. Fonte: Estadão Conteúdo (ANSA)

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